Queria que amar fosse certeza.
De segurança. De carinho, de aconchego.
Certeza de sorriso, de colo, de afago.
Certeza de viver, de sonhar, de ter.
Certeza de desejo, de cumplicidade.
Certeza de olhar, de ver e enxergar.
Certeza de sentir.
Certeza de tocar, de trocar.
Queria que amar não fosse incerteza.
Incerteza de estar, de ficar.
Incerteza de durar.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Eu mesma
Nem tudo a gente fala.
Muito a gente só sente.
Passei um bom tempo do dia de hoje pensando.
No gerúndio mesmo.
Pensamentos que se alternavam numa dança contínua.
Embalada por eles, liguei o som.
E materializei a dança.
Dancei com a alma.
Olhos fechados, sentindo cada batida.
Meu corpo se mexia numa onda sensual.
De entrega.
Entrega a mim mesma, ao meu momento.
Ao meu corpo e à minha alma.
Percebi-me mulher.
Livre. Solta.
Percebi que posso ser assim.
Eu mesma.
Liberta.
Me entreguei mais àquele momento.
Lembranças chegavam de longe. De perto.
Seu rosto apareceu.
Ainda me vejo muito ligada a você.
Estou conseguindo enxergar que não somos um.
Que somos, antes, cada um. Em si.
Em sua individualidade.
E cada vez mais fortes separadamente.
Para nos entregarmos ao nosso "ser um".
Muito a gente só sente.
Passei um bom tempo do dia de hoje pensando.
No gerúndio mesmo.
Pensamentos que se alternavam numa dança contínua.
Embalada por eles, liguei o som.
E materializei a dança.
Dancei com a alma.
Olhos fechados, sentindo cada batida.
Meu corpo se mexia numa onda sensual.
De entrega.
Entrega a mim mesma, ao meu momento.
Ao meu corpo e à minha alma.
Percebi-me mulher.
Livre. Solta.
Percebi que posso ser assim.
Eu mesma.
Liberta.
Me entreguei mais àquele momento.
Lembranças chegavam de longe. De perto.
Seu rosto apareceu.
Ainda me vejo muito ligada a você.
Estou conseguindo enxergar que não somos um.
Que somos, antes, cada um. Em si.
Em sua individualidade.
E cada vez mais fortes separadamente.
Para nos entregarmos ao nosso "ser um".
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Deixa a segunda chegar
Passamos o feriado juntos.
Lembro-me bem da expressão dele.
Cansada e de alívio naquela quarta-feira.
Era só o começo.
Fizemos tudo juntos.
Colados um no outro.
Escolhemos o cardápio do almoço.
Compramos tudo fresquinho.
Cozinhamos juntos.
Ele sempre me serve a bebida.
Tem uma xícara especial. Xícara mesmo.
A cor da minha completa a dele.
Somos assim, uma cor formada de duas.
Trocamos carinhos, palavras, gestos.
Sabemos bem fazer isso.
Sabemos bem trocar.
Doar.
Porque recebemos muito mais.
A colheita é farta.
Corpos entrelaçados, muito mais que abraçados.
A cama era de solteiro e, naquela hora, nem precisávamos mais que isso.
E logo me aninhei em seus braços.
Ele falava ao meu ouvido "Olha isso! Você já chega aninhando.
Nem precisa se ajeitar depois. Já encaixa. Preguicinha delícia".
Encaixo mesmo. Sou do seu tamanho.
Pra encaixar, pra completar.
"Na segunda, vai ser difícil separar".
Deixei esse pensamento me assustar.
Que nada!
Deixa a segunda chegar.
Deixa a segunda passar.
Lembro-me bem da expressão dele.
Cansada e de alívio naquela quarta-feira.
Era só o começo.
Fizemos tudo juntos.
Colados um no outro.
Escolhemos o cardápio do almoço.
Compramos tudo fresquinho.
Cozinhamos juntos.
Ele sempre me serve a bebida.
Tem uma xícara especial. Xícara mesmo.
A cor da minha completa a dele.
Somos assim, uma cor formada de duas.
Trocamos carinhos, palavras, gestos.
Sabemos bem fazer isso.
Sabemos bem trocar.
Doar.
Porque recebemos muito mais.
A colheita é farta.
Corpos entrelaçados, muito mais que abraçados.
A cama era de solteiro e, naquela hora, nem precisávamos mais que isso.
E logo me aninhei em seus braços.
Ele falava ao meu ouvido "Olha isso! Você já chega aninhando.
Nem precisa se ajeitar depois. Já encaixa. Preguicinha delícia".
Encaixo mesmo. Sou do seu tamanho.
Pra encaixar, pra completar.
"Na segunda, vai ser difícil separar".
Deixei esse pensamento me assustar.
Que nada!
Deixa a segunda chegar.
Deixa a segunda passar.
Ele me salvou a vida
Voltávamos de uma visita à casa da minha irmã.
Estava com um cesto de roupas atrás do meu banco.
E não deu para colocar o cinto.
Fizemos o retorno e, ao perceber que eu estava sem cinto, ele falou:
"mamãe, pare o carro agora e coloque o cinto. Eu ajudo a empurrar o cesto."
Obedeci.
Segundos depois, ao descer uma pequena ladeira, uma freada brusca.
Cheguei a encostar no carro da frente.
De leve.
Forte mesmo foi a emoção que senti.
Só consegui olhar pra trás e agradecê-lo.
"Você me salvou a vida".
Desde que pulsava dentro de mim.
Estava com um cesto de roupas atrás do meu banco.
E não deu para colocar o cinto.
Fizemos o retorno e, ao perceber que eu estava sem cinto, ele falou:
"mamãe, pare o carro agora e coloque o cinto. Eu ajudo a empurrar o cesto."
Obedeci.
Segundos depois, ao descer uma pequena ladeira, uma freada brusca.
Cheguei a encostar no carro da frente.
De leve.
Forte mesmo foi a emoção que senti.
Só consegui olhar pra trás e agradecê-lo.
"Você me salvou a vida".
Desde que pulsava dentro de mim.
Tanto, que não cabe em mim
Estava uma segunda comum.
Rotineira.
Fui ler um pouco.
E dei de encontro com textos lindos sobre o amor.
Amores profundos, paixões tórridas.
Não, não era isso que eu estava procurando.
Nem nos textos, nem na vida.
Já tinha sofrido um pouco.
Demais para uma mulher de 30 e poucos.
Não queria amar.
Queria só um companheiro.
É. Um bom companheiro bastava.
E estou aqui, amando.
A cada dia mais.
Tanto, que não cabe em mim.
Não cabe nas declarações.
Nem nessas linhas quase diárias.
Menos ainda nas mensagens de celular, nos e-mails. Ah, tecnologia!
Vez ou outra, me pego namorando aquele olhar doce.
Olhar de amor, de entrega, de carinho.
E o afasto de mim. Defesa.
Tenho medo desse amor. Ele é bom demais pra mim.
Eu não queria um amor. Tenho medo dele me deixar.
Assim como chegou, de mansinho, sem avisar.
Rotineira.
Fui ler um pouco.
E dei de encontro com textos lindos sobre o amor.
Amores profundos, paixões tórridas.
Não, não era isso que eu estava procurando.
Nem nos textos, nem na vida.
Já tinha sofrido um pouco.
Demais para uma mulher de 30 e poucos.
Não queria amar.
Queria só um companheiro.
É. Um bom companheiro bastava.
E estou aqui, amando.
A cada dia mais.
Tanto, que não cabe em mim.
Não cabe nas declarações.
Nem nessas linhas quase diárias.
Menos ainda nas mensagens de celular, nos e-mails. Ah, tecnologia!
Vez ou outra, me pego namorando aquele olhar doce.
Olhar de amor, de entrega, de carinho.
E o afasto de mim. Defesa.
Tenho medo desse amor. Ele é bom demais pra mim.
Eu não queria um amor. Tenho medo dele me deixar.
Assim como chegou, de mansinho, sem avisar.
domingo, 4 de maio de 2008
Doce dilema
Aos poucos vou aprendendo a confiar.
É certo que nem sempre consigo.
Não são poucas as vezes em que histórias antigas reviram meus pensamentos.
Isso dói.
Faz ficar mais difícil a entrega.
Doce dilema.
Sempre pensei que me entregava demais.
Vivo nessa corda bamba.
Ora me entrego, ora recuo.
Vivo momentos intensos, felizes, alguns, até, memoráveis.
Dos dois lados.
Se eu parar pra contar as voltas que o pensamento dá... nem posso!
Voltas demais.
Quisera eu que essa voltas fossem todas coloridas,
uma ciranda de emoções boas.
Em alguns momentos, dor demais.
Como se ficasse absorta numa viagem alucinada,
vivendo cada momento ilusório, cada vertigem.
O passado fica mais perto e o futuro, cada vez mais distante.
Confuso.
Mas, sempre paro. E volto à lucidez.
Volto à vida nossa de cada dia.
Volto às verdades, absolutas ou não.
E, aí, me entrego de novo.
Porque a entrega ao real ainda compensa.
Compensa a dor de um pensamento irreal.
E faz a vida valer a pena.
Porque a alma, ah, essa alma não é pequena!
É certo que nem sempre consigo.
Não são poucas as vezes em que histórias antigas reviram meus pensamentos.
Isso dói.
Faz ficar mais difícil a entrega.
Doce dilema.
Sempre pensei que me entregava demais.
Vivo nessa corda bamba.
Ora me entrego, ora recuo.
Vivo momentos intensos, felizes, alguns, até, memoráveis.
Dos dois lados.
Se eu parar pra contar as voltas que o pensamento dá... nem posso!
Voltas demais.
Quisera eu que essa voltas fossem todas coloridas,
uma ciranda de emoções boas.
Em alguns momentos, dor demais.
Como se ficasse absorta numa viagem alucinada,
vivendo cada momento ilusório, cada vertigem.
O passado fica mais perto e o futuro, cada vez mais distante.
Confuso.
Mas, sempre paro. E volto à lucidez.
Volto à vida nossa de cada dia.
Volto às verdades, absolutas ou não.
E, aí, me entrego de novo.
Porque a entrega ao real ainda compensa.
Compensa a dor de um pensamento irreal.
E faz a vida valer a pena.
Porque a alma, ah, essa alma não é pequena!
Marina
Era sexta-feira quando conversávamos sobre o nome do peixe.
Na segunda, pela manhã, fui cumprir minha rotina maternal.
Cheguei ao aquário, ainda sonolenta, quando tive uma surpresa:
o nosso peixe - que, graças a Deus não se chamou Gilberto - não estava mais sozinho. Estava acompanhado de 18 peixinhos. Fiquei pasma.
Logo deduzi que nossa peixinha - definitivamente uma peixinha - já estava grávida quando chegou aqui.
Grávida sim. Igual gente.
Agora ela se chama Marina. Meu filho que escolheu.
"Pode ser nome de gente mesmo, mamãe. Eu só não tinha gostado de Gilberto."
Acho que ele entendeu o sentido.
E, completou, com uma inteligência ímpar:
"agora, os outros, vamos chamar de 1, 2, 3, 4, até 18, né, mamãe?!"
Naquele momento, eu era mais mãe-peixe do que nunca.
Mais orgulhosa do que nunca.
Na segunda, pela manhã, fui cumprir minha rotina maternal.
Cheguei ao aquário, ainda sonolenta, quando tive uma surpresa:
o nosso peixe - que, graças a Deus não se chamou Gilberto - não estava mais sozinho. Estava acompanhado de 18 peixinhos. Fiquei pasma.
Logo deduzi que nossa peixinha - definitivamente uma peixinha - já estava grávida quando chegou aqui.
Grávida sim. Igual gente.
Agora ela se chama Marina. Meu filho que escolheu.
"Pode ser nome de gente mesmo, mamãe. Eu só não tinha gostado de Gilberto."
Acho que ele entendeu o sentido.
E, completou, com uma inteligência ímpar:
"agora, os outros, vamos chamar de 1, 2, 3, 4, até 18, né, mamãe?!"
Naquele momento, eu era mais mãe-peixe do que nunca.
Mais orgulhosa do que nunca.
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