Estou aprendendo a voar.
Descobri isso dia desses.
Voar pra longe de coisas ruins.
De pensamentos insanos.
Pra perto de coisas singelas.
Pra perto de mim e dos meus.
Cada batida de asas revela um novo momento.
Cada novo ar que respiro, recomeço.
Às vezes alto e destemido vôo.
Outras vezes leve, plainando nas descobertas.
Sempre buscando.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Outra voz
A chuva cai lá fora,
Aqui dentro, um temporal de sentimentos.
Aumento o som de uma música qualquer,
pra ouvir cada vez menos a minha voz interior.
Voz que grita, que insiste,
que quer dizer algo que não quero ouvir.
Voz que sussurra, que cuida, que alerta.
Voz que é minha e de mais ninguém.
Voz que não posso escutar.
Aumento mais.
Escuto menos.
Um misto desordenado de emoções.
Escrevo rápido, cada vez mais rápido.
Penso menos, cada vez menos, nessas angústias e aflições,
que insistem em povoar minha mente,
que insistem em dizer algo.
Algo que não quero ouvir.
Ouve essa voz, menina!
Aquieta teu coração, mulher!
Toma teu rumo.
Muda de vez.
Sai desse lugar comum, desses pensamentos repetidos,
que até hoje te trouxeram até aqui.
E que não precisam mais permanecer.
Ouve outra voz.
Aqui dentro, um temporal de sentimentos.
Aumento o som de uma música qualquer,
pra ouvir cada vez menos a minha voz interior.
Voz que grita, que insiste,
que quer dizer algo que não quero ouvir.
Voz que sussurra, que cuida, que alerta.
Voz que é minha e de mais ninguém.
Voz que não posso escutar.
Aumento mais.
Escuto menos.
Um misto desordenado de emoções.
Escrevo rápido, cada vez mais rápido.
Penso menos, cada vez menos, nessas angústias e aflições,
que insistem em povoar minha mente,
que insistem em dizer algo.
Algo que não quero ouvir.
Ouve essa voz, menina!
Aquieta teu coração, mulher!
Toma teu rumo.
Muda de vez.
Sai desse lugar comum, desses pensamentos repetidos,
que até hoje te trouxeram até aqui.
E que não precisam mais permanecer.
Ouve outra voz.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Céu de inverno
Céu de inverno. Com cara de verão.
Azul, azul, o sol imponente, se fazendo chegar mais perto,
aquecendo nossos corações.
Sexta-feira.
Dia de fim de semana.
Dia de início de fim de semana.
Dia bom.
Bom pra finalizar as coisas e pra começar novas.
Bom pra relaxar, pra distrair.
Sensação de dever cumprido.
Sensação de descanso. De alegria.
Sensação de recomeço.
De começo de um novo tempo.
Um tempo mais feliz.
Como esse céu de inverno, nessa sexta-feira.
Límpido, intenso,
claro, quente.
Céu de esperança.
Céu de vida.
Azul, azul, o sol imponente, se fazendo chegar mais perto,
aquecendo nossos corações.
Sexta-feira.
Dia de fim de semana.
Dia de início de fim de semana.
Dia bom.
Bom pra finalizar as coisas e pra começar novas.
Bom pra relaxar, pra distrair.
Sensação de dever cumprido.
Sensação de descanso. De alegria.
Sensação de recomeço.
De começo de um novo tempo.
Um tempo mais feliz.
Como esse céu de inverno, nessa sexta-feira.
Límpido, intenso,
claro, quente.
Céu de esperança.
Céu de vida.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Aos poucos
Aos poucos, vou percebendo que a vida leve.
Que a vida é doce.
Que momentos felizes são mesmo eternizados.
Em memórias, em canções, em sorrisinhos bobos
que se repetem a cada lembrança do vivido.
Aos poucos, vou percebendo que vale a pena ser leve.
Que vale a pena ser doce.
Que vale a pena viver momentos felizes.
Que vale a pena eternizar canções,
que vale a pena construir memórias.
E, ainda aos poucos, vou me soltando,
aumentando os sorrisos, sorrindo de mim mesma.
Sorrindo pra vida, sorrindo pras histórias.
Sorrindo das memórias, sorrindo pro futuro.
Que a vida é doce.
Que momentos felizes são mesmo eternizados.
Em memórias, em canções, em sorrisinhos bobos
que se repetem a cada lembrança do vivido.
Aos poucos, vou percebendo que vale a pena ser leve.
Que vale a pena ser doce.
Que vale a pena viver momentos felizes.
Que vale a pena eternizar canções,
que vale a pena construir memórias.
E, ainda aos poucos, vou me soltando,
aumentando os sorrisos, sorrindo de mim mesma.
Sorrindo pra vida, sorrindo pras histórias.
Sorrindo das memórias, sorrindo pro futuro.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Queria que amar fosse certeza
Queria que amar fosse certeza.
De segurança. De carinho, de aconchego.
Certeza de sorriso, de colo, de afago.
Certeza de viver, de sonhar, de ter.
Certeza de desejo, de cumplicidade.
Certeza de olhar, de ver e enxergar.
Certeza de sentir.
Certeza de tocar, de trocar.
Queria que amar não fosse incerteza.
Incerteza de estar, de ficar.
Incerteza de durar.
De segurança. De carinho, de aconchego.
Certeza de sorriso, de colo, de afago.
Certeza de viver, de sonhar, de ter.
Certeza de desejo, de cumplicidade.
Certeza de olhar, de ver e enxergar.
Certeza de sentir.
Certeza de tocar, de trocar.
Queria que amar não fosse incerteza.
Incerteza de estar, de ficar.
Incerteza de durar.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Eu mesma
Nem tudo a gente fala.
Muito a gente só sente.
Passei um bom tempo do dia de hoje pensando.
No gerúndio mesmo.
Pensamentos que se alternavam numa dança contínua.
Embalada por eles, liguei o som.
E materializei a dança.
Dancei com a alma.
Olhos fechados, sentindo cada batida.
Meu corpo se mexia numa onda sensual.
De entrega.
Entrega a mim mesma, ao meu momento.
Ao meu corpo e à minha alma.
Percebi-me mulher.
Livre. Solta.
Percebi que posso ser assim.
Eu mesma.
Liberta.
Me entreguei mais àquele momento.
Lembranças chegavam de longe. De perto.
Seu rosto apareceu.
Ainda me vejo muito ligada a você.
Estou conseguindo enxergar que não somos um.
Que somos, antes, cada um. Em si.
Em sua individualidade.
E cada vez mais fortes separadamente.
Para nos entregarmos ao nosso "ser um".
Muito a gente só sente.
Passei um bom tempo do dia de hoje pensando.
No gerúndio mesmo.
Pensamentos que se alternavam numa dança contínua.
Embalada por eles, liguei o som.
E materializei a dança.
Dancei com a alma.
Olhos fechados, sentindo cada batida.
Meu corpo se mexia numa onda sensual.
De entrega.
Entrega a mim mesma, ao meu momento.
Ao meu corpo e à minha alma.
Percebi-me mulher.
Livre. Solta.
Percebi que posso ser assim.
Eu mesma.
Liberta.
Me entreguei mais àquele momento.
Lembranças chegavam de longe. De perto.
Seu rosto apareceu.
Ainda me vejo muito ligada a você.
Estou conseguindo enxergar que não somos um.
Que somos, antes, cada um. Em si.
Em sua individualidade.
E cada vez mais fortes separadamente.
Para nos entregarmos ao nosso "ser um".
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Deixa a segunda chegar
Passamos o feriado juntos.
Lembro-me bem da expressão dele.
Cansada e de alívio naquela quarta-feira.
Era só o começo.
Fizemos tudo juntos.
Colados um no outro.
Escolhemos o cardápio do almoço.
Compramos tudo fresquinho.
Cozinhamos juntos.
Ele sempre me serve a bebida.
Tem uma xícara especial. Xícara mesmo.
A cor da minha completa a dele.
Somos assim, uma cor formada de duas.
Trocamos carinhos, palavras, gestos.
Sabemos bem fazer isso.
Sabemos bem trocar.
Doar.
Porque recebemos muito mais.
A colheita é farta.
Corpos entrelaçados, muito mais que abraçados.
A cama era de solteiro e, naquela hora, nem precisávamos mais que isso.
E logo me aninhei em seus braços.
Ele falava ao meu ouvido "Olha isso! Você já chega aninhando.
Nem precisa se ajeitar depois. Já encaixa. Preguicinha delícia".
Encaixo mesmo. Sou do seu tamanho.
Pra encaixar, pra completar.
"Na segunda, vai ser difícil separar".
Deixei esse pensamento me assustar.
Que nada!
Deixa a segunda chegar.
Deixa a segunda passar.
Lembro-me bem da expressão dele.
Cansada e de alívio naquela quarta-feira.
Era só o começo.
Fizemos tudo juntos.
Colados um no outro.
Escolhemos o cardápio do almoço.
Compramos tudo fresquinho.
Cozinhamos juntos.
Ele sempre me serve a bebida.
Tem uma xícara especial. Xícara mesmo.
A cor da minha completa a dele.
Somos assim, uma cor formada de duas.
Trocamos carinhos, palavras, gestos.
Sabemos bem fazer isso.
Sabemos bem trocar.
Doar.
Porque recebemos muito mais.
A colheita é farta.
Corpos entrelaçados, muito mais que abraçados.
A cama era de solteiro e, naquela hora, nem precisávamos mais que isso.
E logo me aninhei em seus braços.
Ele falava ao meu ouvido "Olha isso! Você já chega aninhando.
Nem precisa se ajeitar depois. Já encaixa. Preguicinha delícia".
Encaixo mesmo. Sou do seu tamanho.
Pra encaixar, pra completar.
"Na segunda, vai ser difícil separar".
Deixei esse pensamento me assustar.
Que nada!
Deixa a segunda chegar.
Deixa a segunda passar.
Ele me salvou a vida
Voltávamos de uma visita à casa da minha irmã.
Estava com um cesto de roupas atrás do meu banco.
E não deu para colocar o cinto.
Fizemos o retorno e, ao perceber que eu estava sem cinto, ele falou:
"mamãe, pare o carro agora e coloque o cinto. Eu ajudo a empurrar o cesto."
Obedeci.
Segundos depois, ao descer uma pequena ladeira, uma freada brusca.
Cheguei a encostar no carro da frente.
De leve.
Forte mesmo foi a emoção que senti.
Só consegui olhar pra trás e agradecê-lo.
"Você me salvou a vida".
Desde que pulsava dentro de mim.
Estava com um cesto de roupas atrás do meu banco.
E não deu para colocar o cinto.
Fizemos o retorno e, ao perceber que eu estava sem cinto, ele falou:
"mamãe, pare o carro agora e coloque o cinto. Eu ajudo a empurrar o cesto."
Obedeci.
Segundos depois, ao descer uma pequena ladeira, uma freada brusca.
Cheguei a encostar no carro da frente.
De leve.
Forte mesmo foi a emoção que senti.
Só consegui olhar pra trás e agradecê-lo.
"Você me salvou a vida".
Desde que pulsava dentro de mim.
Tanto, que não cabe em mim
Estava uma segunda comum.
Rotineira.
Fui ler um pouco.
E dei de encontro com textos lindos sobre o amor.
Amores profundos, paixões tórridas.
Não, não era isso que eu estava procurando.
Nem nos textos, nem na vida.
Já tinha sofrido um pouco.
Demais para uma mulher de 30 e poucos.
Não queria amar.
Queria só um companheiro.
É. Um bom companheiro bastava.
E estou aqui, amando.
A cada dia mais.
Tanto, que não cabe em mim.
Não cabe nas declarações.
Nem nessas linhas quase diárias.
Menos ainda nas mensagens de celular, nos e-mails. Ah, tecnologia!
Vez ou outra, me pego namorando aquele olhar doce.
Olhar de amor, de entrega, de carinho.
E o afasto de mim. Defesa.
Tenho medo desse amor. Ele é bom demais pra mim.
Eu não queria um amor. Tenho medo dele me deixar.
Assim como chegou, de mansinho, sem avisar.
Rotineira.
Fui ler um pouco.
E dei de encontro com textos lindos sobre o amor.
Amores profundos, paixões tórridas.
Não, não era isso que eu estava procurando.
Nem nos textos, nem na vida.
Já tinha sofrido um pouco.
Demais para uma mulher de 30 e poucos.
Não queria amar.
Queria só um companheiro.
É. Um bom companheiro bastava.
E estou aqui, amando.
A cada dia mais.
Tanto, que não cabe em mim.
Não cabe nas declarações.
Nem nessas linhas quase diárias.
Menos ainda nas mensagens de celular, nos e-mails. Ah, tecnologia!
Vez ou outra, me pego namorando aquele olhar doce.
Olhar de amor, de entrega, de carinho.
E o afasto de mim. Defesa.
Tenho medo desse amor. Ele é bom demais pra mim.
Eu não queria um amor. Tenho medo dele me deixar.
Assim como chegou, de mansinho, sem avisar.
domingo, 4 de maio de 2008
Doce dilema
Aos poucos vou aprendendo a confiar.
É certo que nem sempre consigo.
Não são poucas as vezes em que histórias antigas reviram meus pensamentos.
Isso dói.
Faz ficar mais difícil a entrega.
Doce dilema.
Sempre pensei que me entregava demais.
Vivo nessa corda bamba.
Ora me entrego, ora recuo.
Vivo momentos intensos, felizes, alguns, até, memoráveis.
Dos dois lados.
Se eu parar pra contar as voltas que o pensamento dá... nem posso!
Voltas demais.
Quisera eu que essa voltas fossem todas coloridas,
uma ciranda de emoções boas.
Em alguns momentos, dor demais.
Como se ficasse absorta numa viagem alucinada,
vivendo cada momento ilusório, cada vertigem.
O passado fica mais perto e o futuro, cada vez mais distante.
Confuso.
Mas, sempre paro. E volto à lucidez.
Volto à vida nossa de cada dia.
Volto às verdades, absolutas ou não.
E, aí, me entrego de novo.
Porque a entrega ao real ainda compensa.
Compensa a dor de um pensamento irreal.
E faz a vida valer a pena.
Porque a alma, ah, essa alma não é pequena!
É certo que nem sempre consigo.
Não são poucas as vezes em que histórias antigas reviram meus pensamentos.
Isso dói.
Faz ficar mais difícil a entrega.
Doce dilema.
Sempre pensei que me entregava demais.
Vivo nessa corda bamba.
Ora me entrego, ora recuo.
Vivo momentos intensos, felizes, alguns, até, memoráveis.
Dos dois lados.
Se eu parar pra contar as voltas que o pensamento dá... nem posso!
Voltas demais.
Quisera eu que essa voltas fossem todas coloridas,
uma ciranda de emoções boas.
Em alguns momentos, dor demais.
Como se ficasse absorta numa viagem alucinada,
vivendo cada momento ilusório, cada vertigem.
O passado fica mais perto e o futuro, cada vez mais distante.
Confuso.
Mas, sempre paro. E volto à lucidez.
Volto à vida nossa de cada dia.
Volto às verdades, absolutas ou não.
E, aí, me entrego de novo.
Porque a entrega ao real ainda compensa.
Compensa a dor de um pensamento irreal.
E faz a vida valer a pena.
Porque a alma, ah, essa alma não é pequena!
Marina
Era sexta-feira quando conversávamos sobre o nome do peixe.
Na segunda, pela manhã, fui cumprir minha rotina maternal.
Cheguei ao aquário, ainda sonolenta, quando tive uma surpresa:
o nosso peixe - que, graças a Deus não se chamou Gilberto - não estava mais sozinho. Estava acompanhado de 18 peixinhos. Fiquei pasma.
Logo deduzi que nossa peixinha - definitivamente uma peixinha - já estava grávida quando chegou aqui.
Grávida sim. Igual gente.
Agora ela se chama Marina. Meu filho que escolheu.
"Pode ser nome de gente mesmo, mamãe. Eu só não tinha gostado de Gilberto."
Acho que ele entendeu o sentido.
E, completou, com uma inteligência ímpar:
"agora, os outros, vamos chamar de 1, 2, 3, 4, até 18, né, mamãe?!"
Naquele momento, eu era mais mãe-peixe do que nunca.
Mais orgulhosa do que nunca.
Na segunda, pela manhã, fui cumprir minha rotina maternal.
Cheguei ao aquário, ainda sonolenta, quando tive uma surpresa:
o nosso peixe - que, graças a Deus não se chamou Gilberto - não estava mais sozinho. Estava acompanhado de 18 peixinhos. Fiquei pasma.
Logo deduzi que nossa peixinha - definitivamente uma peixinha - já estava grávida quando chegou aqui.
Grávida sim. Igual gente.
Agora ela se chama Marina. Meu filho que escolheu.
"Pode ser nome de gente mesmo, mamãe. Eu só não tinha gostado de Gilberto."
Acho que ele entendeu o sentido.
E, completou, com uma inteligência ímpar:
"agora, os outros, vamos chamar de 1, 2, 3, 4, até 18, né, mamãe?!"
Naquele momento, eu era mais mãe-peixe do que nunca.
Mais orgulhosa do que nunca.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Mãe-peixe
Eu ganhei um peixe.
Era pra ser do meu filho, mas, adivinhe quem está cuidando?
Comprei aquário, plantinha, pedrinha, comidinha especial.
Até anti-cloro pra água.
Faz 15 dias hoje. Bonitinho até.
Vermelho. Desses, bem comuns.
Não. Bem especial.
Foi presente da professora da escola.
Ela disse que era pras crianças aprenderem a ter cuidado com outros seres.
Todos os dias, ele me diz que um peixinho morreu.
Acha que os amigos não estão cuidando bem.
Ontem, ele disse: "você sabe mesmo cuidar do peixinho, né, mamãe.
Por isso que eu te dei. Pra você cuidar. Igual você cuida de mim."
Me desarmou.
Era pras crianças aprenderem a cuidar de outros seres.
E eu, que achava que já sabia disso há um bom tempo, é que estou aprendendo mais.
Vai ver era pra ser assim.
Hoje, tentamos achar um nome pra ele.
Estávamos almoçando e ele disse: "você que escolhe, mamãe".
(No fundo, do alto de sua inteligência infantil, ele sabia que era mais do que justo).
Sugeri nomes masculinos, tipo Gilberto, Otávio.
Mas, não fui feliz.
Ouvi um sonoro "arg" seguido de uma linda careta.
"Nome de gente, mamãe!"
(O alto da inteligência infantil, nessa hora, não é suficiente pra entender esses modismos).
Então, continuamos com o nosso peixe.
Ainda sem nome próprio.
Mas, com identidade suficiente pra marcar um lugar especial na nossa vida.
Era pra ser do meu filho, mas, adivinhe quem está cuidando?
Comprei aquário, plantinha, pedrinha, comidinha especial.
Até anti-cloro pra água.
Faz 15 dias hoje. Bonitinho até.
Vermelho. Desses, bem comuns.
Não. Bem especial.
Foi presente da professora da escola.
Ela disse que era pras crianças aprenderem a ter cuidado com outros seres.
Todos os dias, ele me diz que um peixinho morreu.
Acha que os amigos não estão cuidando bem.
Ontem, ele disse: "você sabe mesmo cuidar do peixinho, né, mamãe.
Por isso que eu te dei. Pra você cuidar. Igual você cuida de mim."
Me desarmou.
Era pras crianças aprenderem a cuidar de outros seres.
E eu, que achava que já sabia disso há um bom tempo, é que estou aprendendo mais.
Vai ver era pra ser assim.
Hoje, tentamos achar um nome pra ele.
Estávamos almoçando e ele disse: "você que escolhe, mamãe".
(No fundo, do alto de sua inteligência infantil, ele sabia que era mais do que justo).
Sugeri nomes masculinos, tipo Gilberto, Otávio.
Mas, não fui feliz.
Ouvi um sonoro "arg" seguido de uma linda careta.
"Nome de gente, mamãe!"
(O alto da inteligência infantil, nessa hora, não é suficiente pra entender esses modismos).
Então, continuamos com o nosso peixe.
Ainda sem nome próprio.
Mas, com identidade suficiente pra marcar um lugar especial na nossa vida.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Porque escrevo
Outro dia me perguntaram por que eu escrevo.
“Seus textos têm verdade, têm sentimento”.
Escrevo por isso.
Porque tem sentimento e verdade dentro de mim.
Porque me entrego à poesia e à não-poesia da vida.
Porque quero fazer da não-poesia, poesia.
Escrevo porque amo.
Escrevo porque odeio.
Escrevo a insegurança e canto a certeza.
Escrevo às escuras pra revelar as verdades.
Escrevo pra ser clara.
Pra guiar o pensamento e não deixá-lo por aí, sozinho.
Vazio.
Escrevo pra ocupar a mente. E o tempo.
Não escrevo pra passar o tempo.
Escrevo para contá-lo diferente.
Escrevo com a alma.
Alma feminina, cheia de anseios, de verdades e de incertezas.
Escrevo a contradição e a paixão.
Porque a própria paixão é, senão, uma contradição.
Escrevo pra aliviar a alma e alimentar o coração.
Escrevo pra plantar frutos.
E pra colhê-los.
“Seus textos têm verdade, têm sentimento”.
Escrevo por isso.
Porque tem sentimento e verdade dentro de mim.
Porque me entrego à poesia e à não-poesia da vida.
Porque quero fazer da não-poesia, poesia.
Escrevo porque amo.
Escrevo porque odeio.
Escrevo a insegurança e canto a certeza.
Escrevo às escuras pra revelar as verdades.
Escrevo pra ser clara.
Pra guiar o pensamento e não deixá-lo por aí, sozinho.
Vazio.
Escrevo pra ocupar a mente. E o tempo.
Não escrevo pra passar o tempo.
Escrevo para contá-lo diferente.
Escrevo com a alma.
Alma feminina, cheia de anseios, de verdades e de incertezas.
Escrevo a contradição e a paixão.
Porque a própria paixão é, senão, uma contradição.
Escrevo pra aliviar a alma e alimentar o coração.
Escrevo pra plantar frutos.
E pra colhê-los.
Viver a cada dia
E, se só sobrarem lembranças um dia,
poderei dizer que vivi um grande amor.
Se ele for embora um dia,
poderei dizer que foi bom enquanto ele ficou.
E, se a gente se desgostar um dia,
poderei dizer “que pena, a gente não se bastou”.
poderei dizer que vivi um grande amor.
Se ele for embora um dia,
poderei dizer que foi bom enquanto ele ficou.
E, se a gente se desgostar um dia,
poderei dizer “que pena, a gente não se bastou”.
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Encontro único
Foi no primeiro encontro.
Passamos 4 horas conversando, trocando olhares.
À luz de velas.
Velas vermelhas que me ruborizavam o rosto de vez em quando.
Ou que disfarçavam o rubor.
Um único carinho na mão.
Bastava.
Já nos acariciávamos com palavras e olhares o tempo todo.
Ele me trouxe em casa.
Já esperávamos pelo primeiro beijo.
Ele me ofereceu chicletes.
Eu aceitei.
Ele me pediu em casamento.
E eu lhe roubei um beijo.
Passamos 4 horas conversando, trocando olhares.
À luz de velas.
Velas vermelhas que me ruborizavam o rosto de vez em quando.
Ou que disfarçavam o rubor.
Um único carinho na mão.
Bastava.
Já nos acariciávamos com palavras e olhares o tempo todo.
Ele me trouxe em casa.
Já esperávamos pelo primeiro beijo.
Ele me ofereceu chicletes.
Eu aceitei.
Ele me pediu em casamento.
E eu lhe roubei um beijo.
Travesseiro novo
Era de tarde.
Eu estava trabalhando, estava tudo tranqüilo e resolvi ajeitar um pouco as coisas aqui em casa.
Fui até o quarto do meu filho e arrumei a cama.
Lembrei que na noite anterior ele havia me confidenciado: mamãe, quero um travesseiro maior, bem fofinho, pra eu (e ele fala assim mesmo apesar da pouca idade) colocar minha cabeça nele e não sair.
Imediatamente, lembrei-me do travesseiro novo que minha mãe havia me dado.
Era um par e eu só tinha colocado um na minha cama.
Corri e coloquei a fronha nele.
Senti vontade de colocar um cheirinho especial.
Pinguei umas gotinhas do perfuminho dele, que eu adoro.
É o mesmo cheiro que coloco nas roupinhas dele sempre que viaja ou passeia.
E coloco também no pijama. Sempre. Pra ele dormir com aquele cheirinho bom.
E, assim, fazer um carinho nos anjos que sempre vêm visitar.
Saí do quarto com o olho marejado e um sorrisinho bobo no rosto.
Um misto de sentimentos de carinho, orgulho e saudade.
Amor, puro amor.
Eu estava trabalhando, estava tudo tranqüilo e resolvi ajeitar um pouco as coisas aqui em casa.
Fui até o quarto do meu filho e arrumei a cama.
Lembrei que na noite anterior ele havia me confidenciado: mamãe, quero um travesseiro maior, bem fofinho, pra eu (e ele fala assim mesmo apesar da pouca idade) colocar minha cabeça nele e não sair.
Imediatamente, lembrei-me do travesseiro novo que minha mãe havia me dado.
Era um par e eu só tinha colocado um na minha cama.
Corri e coloquei a fronha nele.
Senti vontade de colocar um cheirinho especial.
Pinguei umas gotinhas do perfuminho dele, que eu adoro.
É o mesmo cheiro que coloco nas roupinhas dele sempre que viaja ou passeia.
E coloco também no pijama. Sempre. Pra ele dormir com aquele cheirinho bom.
E, assim, fazer um carinho nos anjos que sempre vêm visitar.
Saí do quarto com o olho marejado e um sorrisinho bobo no rosto.
Um misto de sentimentos de carinho, orgulho e saudade.
Amor, puro amor.
Tatuagem
Ganhei uma tatuagem ontem.
Não, não fui eu que fiz.
O namorado fez e disse que era para mim.
Não, não era o meu nome ou uma declaração formal de amor.
Era uma flor de cerejeira. Na verdade, era pra ser uma flor de cerejeira.
Mas, eu não escolhi a cor e ele achou melhor me dar todas.
Disse que não precisava escolher uma cor. Que todas eram minhas.
Assim, eu estaria colada ao corpo dele mesmo na ausência física.
Mas, de todas, ele ainda defendeu a vermelha, a que sai do coração.
Porque vermelho é amor. Além de sair do coração.
Nunca pensei em fazer tatuagens.
Mas, aprendi que pra muita gente, elas fazem sentido.
E gostei de fazer parte de um sentido também.
Não, não era uma declaração formal de amor.
Era uma declaração eternizada de amor.
Porque se um dia o verbo for passado, saberemos que elas serão sempre presentes.
E que elas fazem parte de um presente juntos.
Um presente de trocas, de carinhos, de cumplicidade, de respeito.
Um presente que cresce a cada dia e se faz futuro.
Um futuro com que a gente não se preocupa muito porque vive o presente.
E vive construindo o futuro. Sem se preocupar com ele.
Nunca pensei em fazer tatuagens.
Mas, aprendi que elas não mudam o caráter de ninguém.
E, mesmo sem saber, descobri que também tenho tatuagens.
Tenho flores de cerejeira que saem do coração. Vermelhas, da cor do amor.
Amor que vivo no presente. De presente. Pra mim e pra você.
(texto postado em 23.4, mas, escrito em 20.4)
Não, não fui eu que fiz.
O namorado fez e disse que era para mim.
Não, não era o meu nome ou uma declaração formal de amor.
Era uma flor de cerejeira. Na verdade, era pra ser uma flor de cerejeira.
Mas, eu não escolhi a cor e ele achou melhor me dar todas.
Disse que não precisava escolher uma cor. Que todas eram minhas.
Assim, eu estaria colada ao corpo dele mesmo na ausência física.
Mas, de todas, ele ainda defendeu a vermelha, a que sai do coração.
Porque vermelho é amor. Além de sair do coração.
Nunca pensei em fazer tatuagens.
Mas, aprendi que pra muita gente, elas fazem sentido.
E gostei de fazer parte de um sentido também.
Não, não era uma declaração formal de amor.
Era uma declaração eternizada de amor.
Porque se um dia o verbo for passado, saberemos que elas serão sempre presentes.
E que elas fazem parte de um presente juntos.
Um presente de trocas, de carinhos, de cumplicidade, de respeito.
Um presente que cresce a cada dia e se faz futuro.
Um futuro com que a gente não se preocupa muito porque vive o presente.
E vive construindo o futuro. Sem se preocupar com ele.
Nunca pensei em fazer tatuagens.
Mas, aprendi que elas não mudam o caráter de ninguém.
E, mesmo sem saber, descobri que também tenho tatuagens.
Tenho flores de cerejeira que saem do coração. Vermelhas, da cor do amor.
Amor que vivo no presente. De presente. Pra mim e pra você.
(texto postado em 23.4, mas, escrito em 20.4)
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Ser dual
Dia desses, descobri que todo ser humano é dual.
Parece óbvio: mau e bom humor, dormir e acordar, doce e salgado, feliz e triste.
Enfim, vivemos cercados de dois lados.
E somos uma única moeda.
Uma moeda de troca. De compra. E, muitas vezes, de venda.
Mergulhei nessa minha dualidade. Fui fundo mesmo.
E descobri que amo e desamo.
Amo a presença, a ausência sentida que traz a saudade, a querência.
Amo o carinho, a atenção e o respeito.
Desamo a angústia, a insegurança, o desconfiar.
Desamo a incerteza de amar.
E, cada dia que começa doce, alegre, finda num pesar tão doído, tão só.
Tão imerso em pensamentos, ora obscuros, vindos lá do inconsciente.
Ora projetados pelo consciente que pensa o que quer.
Ora ilusões da própria mente.
Mente que cria e recria cenários.
Mente que se deixa levar na incerteza.
Mente que vaga num infinito de possibilidades.
Mente que constrói e destrói.
Dia desses, descobri que sou dual.
E, noite dessas, descobri que nessa dualidade comum e natural, preciso mais é dirigir a mente e explorar as possibilidades de viver, de sonhar e de conquistar.
Por que, se deixar, a mente vaga.
E fica vaga, por aí, divagando.
Parece óbvio: mau e bom humor, dormir e acordar, doce e salgado, feliz e triste.
Enfim, vivemos cercados de dois lados.
E somos uma única moeda.
Uma moeda de troca. De compra. E, muitas vezes, de venda.
Mergulhei nessa minha dualidade. Fui fundo mesmo.
E descobri que amo e desamo.
Amo a presença, a ausência sentida que traz a saudade, a querência.
Amo o carinho, a atenção e o respeito.
Desamo a angústia, a insegurança, o desconfiar.
Desamo a incerteza de amar.
E, cada dia que começa doce, alegre, finda num pesar tão doído, tão só.
Tão imerso em pensamentos, ora obscuros, vindos lá do inconsciente.
Ora projetados pelo consciente que pensa o que quer.
Ora ilusões da própria mente.
Mente que cria e recria cenários.
Mente que se deixa levar na incerteza.
Mente que vaga num infinito de possibilidades.
Mente que constrói e destrói.
Dia desses, descobri que sou dual.
E, noite dessas, descobri que nessa dualidade comum e natural, preciso mais é dirigir a mente e explorar as possibilidades de viver, de sonhar e de conquistar.
Por que, se deixar, a mente vaga.
E fica vaga, por aí, divagando.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Delicadezas da hora do almoço
Era hora do almoço.
Estava trabalhando e, de repente, a campainha tocou.
No fundo, no fundo, eu já sabia. Era ele.
De surpresa. Surpresa boa.
Com um abraço apertado o recebi.
E ele, sussurrando ao meu ouvido, apertando ainda mais o meu corpo contra o seu, dizia que a saudade tinha apertado, que ele veio caminhando, caminhando e que, de repente, estava aqui. E disse ainda que veio também para ter certeza de que eu almoçaria bem. E na hora certa.
Cuidado duplo.
Ficamos ali, no sofá, 40 minutos, trocando carinhos de gestos e de palavras.
Antes de ir embora, já na porta, ele ainda deixou outro presente.
- Quer uma bala pra adoçar a sua tarde de trabalho? - disse eu.
- Quero não. Eu já tenho a bala mais gostosa do mundo. E não é a mais gostosa só pelo gosto, mas, porque você me deu com tanto carinho. Sabe que eu até estou com dó de comer? Pra não acabar logo.
Vi essa bala, despretensiosamente, no caixa do supermercado.
Me chamou a atenção a embalagem, uma caixinha em forma de coração.
Nem sabia o gosto.
Ele provou e amou. Fala da bala sempre que falamos sobre doces.
E, assim, a gente vai adoçando a vida.
Descobrindo sabores.
Alimentando o amor.
Estava trabalhando e, de repente, a campainha tocou.
No fundo, no fundo, eu já sabia. Era ele.
De surpresa. Surpresa boa.
Com um abraço apertado o recebi.
E ele, sussurrando ao meu ouvido, apertando ainda mais o meu corpo contra o seu, dizia que a saudade tinha apertado, que ele veio caminhando, caminhando e que, de repente, estava aqui. E disse ainda que veio também para ter certeza de que eu almoçaria bem. E na hora certa.
Cuidado duplo.
Ficamos ali, no sofá, 40 minutos, trocando carinhos de gestos e de palavras.
Antes de ir embora, já na porta, ele ainda deixou outro presente.
- Quer uma bala pra adoçar a sua tarde de trabalho? - disse eu.
- Quero não. Eu já tenho a bala mais gostosa do mundo. E não é a mais gostosa só pelo gosto, mas, porque você me deu com tanto carinho. Sabe que eu até estou com dó de comer? Pra não acabar logo.
Vi essa bala, despretensiosamente, no caixa do supermercado.
Me chamou a atenção a embalagem, uma caixinha em forma de coração.
Nem sabia o gosto.
Ele provou e amou. Fala da bala sempre que falamos sobre doces.
E, assim, a gente vai adoçando a vida.
Descobrindo sabores.
Alimentando o amor.
Bom dia
- Ei, só liguei pra dizer "bom dia"!
- Bom dia, flor do dia lindeza!
Era só pra dizer bom dia. E ouvi uma declaração singela.
- Bom dia, flor do dia lindeza!
Era só pra dizer bom dia. E ouvi uma declaração singela.
Pára. E anda.
Não eram 9h da manhã de hoje e eu já havia sido chamada de "uma mulher especial" três vezes.
Conselhos sobre felicidade, sobre deixar-se amar e se permitir também chegaram nesse período de tempo.
Paro e reflito um pouco sobre isso tudo.
Quem é essa "mulher especial" que todos enxergam?
Por que ela não se enxerga?
Por que ela não merece essa felicidade, esse amor, a realização plena na vida?
Pára, moça. Pára.
Você ainda é jovem e ainda dá tempo de rever as coisas.
Ainda dá tempo de reconhecer tudo o que você tem de bom, de encantador, de cativante. Ainda dá tempo de reconhecer a sua essência. E de confiar nela.
Ainda dá tempo de se cuidar. De se aceitar. De se engrandecer em si mesma.
Sem soberba. Com realidade.
Pára, moça. Pára.
Ainda dá tempo de viver esse amor. De aceitar ser amada. De trocar, de compartilhar. De confiar. De merecer. De saber que merece.
Anda, moça. Anda.
Vai se olhar no espelho. Vai se enxergar por dentro.
Deixa aflorar seus encantos, deixa aflorar seus desejos. Sem medos, sem anseios.
Vai ser feliz por inteiro. Vai viver o momento.
Vai se amar primeiro.
Conselhos sobre felicidade, sobre deixar-se amar e se permitir também chegaram nesse período de tempo.
Paro e reflito um pouco sobre isso tudo.
Quem é essa "mulher especial" que todos enxergam?
Por que ela não se enxerga?
Por que ela não merece essa felicidade, esse amor, a realização plena na vida?
Pára, moça. Pára.
Você ainda é jovem e ainda dá tempo de rever as coisas.
Ainda dá tempo de reconhecer tudo o que você tem de bom, de encantador, de cativante. Ainda dá tempo de reconhecer a sua essência. E de confiar nela.
Ainda dá tempo de se cuidar. De se aceitar. De se engrandecer em si mesma.
Sem soberba. Com realidade.
Pára, moça. Pára.
Ainda dá tempo de viver esse amor. De aceitar ser amada. De trocar, de compartilhar. De confiar. De merecer. De saber que merece.
Anda, moça. Anda.
Vai se olhar no espelho. Vai se enxergar por dentro.
Deixa aflorar seus encantos, deixa aflorar seus desejos. Sem medos, sem anseios.
Vai ser feliz por inteiro. Vai viver o momento.
Vai se amar primeiro.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Lição
A vida dá cada volta na gente...
Estava navegando e parei no "parafrancisco", da Cris Guerra.
Confesso que o leio quase todos os dias, mas, hoje, especialmente, foi um dia especial.
Imediatamente, linkei para a reportagem exibida no último Globo Repórter. A Cris dava um testemunho sobre superação.
Estou em lágrimas até agora.
Fui vendo, ouvindo e avaliando como aquela história estava mexendo comigo.
Quão mesquinha estou sendo perdendo minutos da minha vida pensando em problemas tão pequenos.
Não estou dizendo que a história da Cris seja um problema. Muito menos que seja um problema maior que o meu. Se for, foi.
O que vejo ali é uma superação constante, uma energia inesgotável, uma lição de vida, de verdade, de entrega.
Cris, você soube viver o amor. E eu, vivo às voltas com o meu.
Vivo desconfiando, procurando motivos pra não aceitá-lo.
Achando, muitas vezes inconscientemente, que não o mereço, que não sou digna de vivê-lo.
Não me pergunte o porquê.
Talvez, após ver essa história, após ler o que você escreve, eu possa mudar.
Que eu devo, devo. E muito. Não dá para viver nessa tormenta diária. Tormenta que eu mesma crio.
Obrigada, Cris, pelas palavras. Obrigada pela vida.
Estava navegando e parei no "parafrancisco", da Cris Guerra.
Confesso que o leio quase todos os dias, mas, hoje, especialmente, foi um dia especial.
Imediatamente, linkei para a reportagem exibida no último Globo Repórter. A Cris dava um testemunho sobre superação.
Estou em lágrimas até agora.
Fui vendo, ouvindo e avaliando como aquela história estava mexendo comigo.
Quão mesquinha estou sendo perdendo minutos da minha vida pensando em problemas tão pequenos.
Não estou dizendo que a história da Cris seja um problema. Muito menos que seja um problema maior que o meu. Se for, foi.
O que vejo ali é uma superação constante, uma energia inesgotável, uma lição de vida, de verdade, de entrega.
Cris, você soube viver o amor. E eu, vivo às voltas com o meu.
Vivo desconfiando, procurando motivos pra não aceitá-lo.
Achando, muitas vezes inconscientemente, que não o mereço, que não sou digna de vivê-lo.
Não me pergunte o porquê.
Talvez, após ver essa história, após ler o que você escreve, eu possa mudar.
Que eu devo, devo. E muito. Não dá para viver nessa tormenta diária. Tormenta que eu mesma crio.
Obrigada, Cris, pelas palavras. Obrigada pela vida.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
De gestos e de palavras
Ele é de gestos.
Estávamos numa loja e meus olhos brilharam pela camisa nova do nosso time de
futebol. Os dele também - essa é uma paixão que cultivamos juntos.
Ele, sempre atento, chegou ao meu ouvido dizendo:
- "Leva, tá linda!".
Ok, ok.
Fui ao caixa e a vendedora perguntou:
- "Presente?".
Antes mesmo que eu pudesse responder, ele me interrompeu:
- "É, presente. Meu presente pra ela.".
Eu disse, com os olhos emocionados:
- "Mas, você não comprou nem pra você e está me dando esse presente!".
E ele completou:
- "Presentear você é um presente pra mim.".
Ele é de palavras também.
Estávamos numa loja e meus olhos brilharam pela camisa nova do nosso time de
futebol. Os dele também - essa é uma paixão que cultivamos juntos.
Ele, sempre atento, chegou ao meu ouvido dizendo:
- "Leva, tá linda!".
Ok, ok.
Fui ao caixa e a vendedora perguntou:
- "Presente?".
Antes mesmo que eu pudesse responder, ele me interrompeu:
- "É, presente. Meu presente pra ela.".
Eu disse, com os olhos emocionados:
- "Mas, você não comprou nem pra você e está me dando esse presente!".
E ele completou:
- "Presentear você é um presente pra mim.".
Ele é de palavras também.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Filha
De repente,
percebi que
ser filha é
ouvir conselhos noite adentro,
entre um bocejo e outro,
de alguém que
(você sabe)
nunca cobraria por eles.
percebi que
ser filha é
ouvir conselhos noite adentro,
entre um bocejo e outro,
de alguém que
(você sabe)
nunca cobraria por eles.
Um sono bom
Estava vendo você dormir, filho.
Um sono bom.
Um sono justo.
Um sono inocente.
Quisera eu ter esse semblante ao dormir.
Quisera eu dormir inocente.
No vai-e-vem dos dias, muitos senões me tiram a inocência.
E, quando chega a noite, deito, cerro os olhos.
E não adormeço.
Um sono bom.
Um sono justo.
Um sono inocente.
Quisera eu ter esse semblante ao dormir.
Quisera eu dormir inocente.
No vai-e-vem dos dias, muitos senões me tiram a inocência.
E, quando chega a noite, deito, cerro os olhos.
E não adormeço.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Distância que aproxima
Ontem tive a certeza de que a distância aproxima.
Aproxima mentes, corações, almas.
Aumenta a sintonia, faz "roubar pensamentos".
Aperta o peito e nos faz suspirar.
Ontem, mais uma vez, tive a certeza de te amar muito.
Amar o aconchego, amar o carinho, amar o cuidado.
Amar a saudade.
Amar o saber que você está por perto.
Mesmo, por algumas horas, distante.
Aproxima mentes, corações, almas.
Aumenta a sintonia, faz "roubar pensamentos".
Aperta o peito e nos faz suspirar.
Ontem, mais uma vez, tive a certeza de te amar muito.
Amar o aconchego, amar o carinho, amar o cuidado.
Amar a saudade.
Amar o saber que você está por perto.
Mesmo, por algumas horas, distante.
Um milagre
Enfim, exames prontos, conferidos, revisados por dois médicos.
Estou bem. Dos males, o menor.
O "problemão" anterior simplesmente desapareceu.
Simplesmente, não!
Graças a muitas orações e muita homeopatia.
E muito cuidado da família e do namorado.
Agora, é só fazer controle e cuidar da alimentação.
Cuidar do corpo.
Porque da mente e do coração, estou cuidando muito bem.
Obrigada pelo carinho de quem me acompanhou e me enviou mensagens de apoio. Valeram muito.
Estou bem. Dos males, o menor.
O "problemão" anterior simplesmente desapareceu.
Simplesmente, não!
Graças a muitas orações e muita homeopatia.
E muito cuidado da família e do namorado.
Agora, é só fazer controle e cuidar da alimentação.
Cuidar do corpo.
Porque da mente e do coração, estou cuidando muito bem.
Obrigada pelo carinho de quem me acompanhou e me enviou mensagens de apoio. Valeram muito.
segunda-feira, 24 de março de 2008
24 de março 10h da manhã
Os exames estão prontos desde a última quinta-feira.
Disponíveis na internet.
Não quis consultá-los sozinha.
Marquei minha consulta para hoje mesmo, às 18h.
Era esse o combinado. 24 de março.
Hoje, mais do que em qualquer dia, me sinto, paradoxalmente, mais confiante.
Confio no milagre do dia 24.
Disponíveis na internet.
Não quis consultá-los sozinha.
Marquei minha consulta para hoje mesmo, às 18h.
Era esse o combinado. 24 de março.
Hoje, mais do que em qualquer dia, me sinto, paradoxalmente, mais confiante.
Confio no milagre do dia 24.
quarta-feira, 19 de março de 2008
À espera de um diagnóstico
Estive meio sumida daqui, acho que acabei caindo na mesmice da fuga dos problemas.
Na verdade, não foi bem uma fuga, foi mais uma questão de me acostumar com a idéia. Ou de tentar me acostumar com a idéia de que realmente posso estar com um problema de saúde.
Fiz uns exames, no início do mês.
Ou melhor, desde julho venho perambulando pelos consultórios e fazendo exames para verificar como anda a minha saúde.
(É redundante dizer que a gente só faz isso quando cisma com alguma coisa...).
Então, meses depois dessa peregrinação toda e, sendo tratada para uma determinada doença, os exames acusaram um outro problema.
Pior, nada do problema anterior que, segundo os próprios especialistas, não teria como ter "desaparecido".
Cheguei a pensar em milagre, mas, como o problema aparecido agora é, em princípio, mais grave, preferi pensar que o médico estava errado.
Que eu não tinha aquela doença e que estava sendo tratada de forma errada.
Por isso sumi um pouco. Tantas incertezas. Tantas dúvidas.
Sintomas de algo grave. Nova série de exames.
Silêncio até o próximo dia 24.
Espera até o próximo dia 24.
Incertezas até o próximo dia 24.
E um desejo profundo de fé que aconteça um milagre até o próximo dia 24.
Na verdade, não foi bem uma fuga, foi mais uma questão de me acostumar com a idéia. Ou de tentar me acostumar com a idéia de que realmente posso estar com um problema de saúde.
Fiz uns exames, no início do mês.
Ou melhor, desde julho venho perambulando pelos consultórios e fazendo exames para verificar como anda a minha saúde.
(É redundante dizer que a gente só faz isso quando cisma com alguma coisa...).
Então, meses depois dessa peregrinação toda e, sendo tratada para uma determinada doença, os exames acusaram um outro problema.
Pior, nada do problema anterior que, segundo os próprios especialistas, não teria como ter "desaparecido".
Cheguei a pensar em milagre, mas, como o problema aparecido agora é, em princípio, mais grave, preferi pensar que o médico estava errado.
Que eu não tinha aquela doença e que estava sendo tratada de forma errada.
Por isso sumi um pouco. Tantas incertezas. Tantas dúvidas.
Sintomas de algo grave. Nova série de exames.
Silêncio até o próximo dia 24.
Espera até o próximo dia 24.
Incertezas até o próximo dia 24.
E um desejo profundo de fé que aconteça um milagre até o próximo dia 24.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Simples constatação
No fundo, no fundo, bem lá no fundo, existe algo mais singelo e mais completo do que uma declaração de amor?
Sensação de mãe
A maternidade é uma coisa engraçada.
A gente diz não querendo dizer sim.
Dá uma bronca querendo fazer um carinho e colocar no colo.
Põe pra dormir querendo que não se adormeça nunca.
A gente diz não querendo dizer sim.
Dá uma bronca querendo fazer um carinho e colocar no colo.
Põe pra dormir querendo que não se adormeça nunca.
Do paradoxo de amar
Você me faz feliz. A cada insegurança minha, você me faz mais feliz.
É nessa hora que você se mostra.
Leal, companheiro, sábio, dono dos mais belos e sinceros conselhos.
Dos mais convincentes argumentos.
E, num instante, passo de insegura a mulher amada, desejada, querida.
Sem culpa. Apenas mulher.
É nessa hora que você se mostra.
Leal, companheiro, sábio, dono dos mais belos e sinceros conselhos.
Dos mais convincentes argumentos.
E, num instante, passo de insegura a mulher amada, desejada, querida.
Sem culpa. Apenas mulher.
terça-feira, 11 de março de 2008
Sentimento complexo, confuso, sincero, obscuro
Deixei o pensamento correr solto pra ver no que ia dar.
E foi correndo, correndo... E chegou ao amor.
Ah, o amor! Sentimento complexo, confuso, sincero, obscuro.
Sentimento de dois, de três, de mais.
Sentimento de um que ama demais.
Sentimento de outro que ama demais.
Sentimento de um que ama e acha que pode, de qualquer maneira, cercar o outro.
Sentimento de posse e ao mesmo tempo de carência.
Sentimento de entrega e de conquista.
Sentimento de ceder, de doar.
Sentimento de ver, de ter e de não enxergar.
Sentimento que aviva e que mata.
Sentimento saudável e doentio.
Sentimento de vida, de renascimento.
Ah, o amor! Sentimento complexo, confuso, sincero, obscuro.
De quem dá a vida sem nada cobrar.
E que nas voltas da vida se vê esperar.
Pelo amor que cedeu, pelo amor que deu, pelo amor que sofreu.
E foi correndo, correndo... E chegou ao amor.
Ah, o amor! Sentimento complexo, confuso, sincero, obscuro.
Sentimento de dois, de três, de mais.
Sentimento de um que ama demais.
Sentimento de outro que ama demais.
Sentimento de um que ama e acha que pode, de qualquer maneira, cercar o outro.
Sentimento de posse e ao mesmo tempo de carência.
Sentimento de entrega e de conquista.
Sentimento de ceder, de doar.
Sentimento de ver, de ter e de não enxergar.
Sentimento que aviva e que mata.
Sentimento saudável e doentio.
Sentimento de vida, de renascimento.
Ah, o amor! Sentimento complexo, confuso, sincero, obscuro.
De quem dá a vida sem nada cobrar.
E que nas voltas da vida se vê esperar.
Pelo amor que cedeu, pelo amor que deu, pelo amor que sofreu.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Menina-mulher
Me sinto mais inteira. Mais mulher. Talvez, mais madura.
É certo que, às vezes, volto a pensar como criança. A agir como criança.
A lambuzar o meu rosto com brigadeiro de panela.
A pensar em conto de fadas, em príncipe encantado.
A querer que a bruxa nunca venha com aquela maçã.
A tomar banho demorado, brincar com a água, sem pensar em nada.
É certo que, às vezes, volto a pensar como mocinha. A agir como mocinha.
A fazer cena de ciúmes.
A achar que o universo gira ao meu redor.
A provocar outras garotas dizendo: “baba, querida! Ele é meu!”
A passar blush e gloss e badalar.
É certo que, às vezes, penso como mulher. Ajo como mulher.
Mulher que sabe o que quer, que sabe o que faz.
Mulher segura de si, que sabe andar e requebrar.
Mulher que dá um aceno e que sabe recuar.
Mulher que se olha no espelho e se enxerga por dentro.
Me sinto mais inteira. Mais mulher. Talvez, mais madura.
Muito mais segura.
É certo que, às vezes, volto a pensar como criança. A agir como criança.
A lambuzar o meu rosto com brigadeiro de panela.
A pensar em conto de fadas, em príncipe encantado.
A querer que a bruxa nunca venha com aquela maçã.
A tomar banho demorado, brincar com a água, sem pensar em nada.
É certo que, às vezes, volto a pensar como mocinha. A agir como mocinha.
A fazer cena de ciúmes.
A achar que o universo gira ao meu redor.
A provocar outras garotas dizendo: “baba, querida! Ele é meu!”
A passar blush e gloss e badalar.
É certo que, às vezes, penso como mulher. Ajo como mulher.
Mulher que sabe o que quer, que sabe o que faz.
Mulher segura de si, que sabe andar e requebrar.
Mulher que dá um aceno e que sabe recuar.
Mulher que se olha no espelho e se enxerga por dentro.
Me sinto mais inteira. Mais mulher. Talvez, mais madura.
Muito mais segura.
quinta-feira, 6 de março de 2008
Um amor tranquilo
Eu quero um amor tranquilo. Um amor calmo, que sorri, que se alegra.
Eu quero deitar e dormir. Quero uma cama bem-feita, um lençol de algodão, um travesseiro de plumas, um pijama quentinho.
E quero seu cheiro ao meu lado. Quero dormir nos seus braços, enlaçada em você.
Eu quero acordar e sorrir. E velar o seu sono infantil, o seu sono manso, o seu sono de homem.
Homem que me ama, que me cuida, que me faz sorrir.
Que me olha, me beija, me abraça, me mordisca, me quer.
Que me quer ao seu lado. Que me quer mulher.
Mulher que cuida, que compartilha, que ama.
Mulher delicada, mulher alegre, mulher dengosa.
Mulher que sabe ser forte, e que, por vezes, é fraca.
Mulher que tem sentimento, que tem dores e amores. Mulher que tem seu lugar.
Lugar que ocupa ao seu lado. Lugar que se faz ocupar. Lugar de amor e carinho.
De trato bom, de cumplicidade.
Cumplicidade de viver. Um amor tranquilo, um amor cortês, uma amor amado.
Eu quero esse amor tranquilo. Quero seu amor tranquilo e ser seu amor tranquilo.
Eu quero deitar e dormir. Quero uma cama bem-feita, um lençol de algodão, um travesseiro de plumas, um pijama quentinho.
E quero seu cheiro ao meu lado. Quero dormir nos seus braços, enlaçada em você.
Eu quero acordar e sorrir. E velar o seu sono infantil, o seu sono manso, o seu sono de homem.
Homem que me ama, que me cuida, que me faz sorrir.
Que me olha, me beija, me abraça, me mordisca, me quer.
Que me quer ao seu lado. Que me quer mulher.
Mulher que cuida, que compartilha, que ama.
Mulher delicada, mulher alegre, mulher dengosa.
Mulher que sabe ser forte, e que, por vezes, é fraca.
Mulher que tem sentimento, que tem dores e amores. Mulher que tem seu lugar.
Lugar que ocupa ao seu lado. Lugar que se faz ocupar. Lugar de amor e carinho.
De trato bom, de cumplicidade.
Cumplicidade de viver. Um amor tranquilo, um amor cortês, uma amor amado.
Eu quero esse amor tranquilo. Quero seu amor tranquilo e ser seu amor tranquilo.
Partida doída
É um menino lindo. Doce, inteligente.
De uma sagacidade incomum.
Se sente um "menino-moço". Já se acha independente.
E cada ida ao banheiro sem o adorável "mãe, me limpa?" se torna mais uma partida.
Doída partida.
Agora, o vejo na entrada da escola, com sua mochila pesada, seus anseios, seu coração pulsando novos rumos.
O vejo sair de mim, novos desafios, novas conquistas.
Mas, com velhos valores.
Esses que ensinei enquanto ainda o tinha mais perto de mim.
Esses que a gente aprende pequeninho, observando, com carinha surpresa, confusa.
Esses que a gente aprende com mãe. Que a gente aprende com o olhar de mãe.
Esses mesmos que nos trazem pra perto de novo. Pro aconchego.
Pra certeza de que podemos sair porque podemos voltar.
A qualquer hora.
De uma sagacidade incomum.
Se sente um "menino-moço". Já se acha independente.
E cada ida ao banheiro sem o adorável "mãe, me limpa?" se torna mais uma partida.
Doída partida.
Agora, o vejo na entrada da escola, com sua mochila pesada, seus anseios, seu coração pulsando novos rumos.
O vejo sair de mim, novos desafios, novas conquistas.
Mas, com velhos valores.
Esses que ensinei enquanto ainda o tinha mais perto de mim.
Esses que a gente aprende pequeninho, observando, com carinha surpresa, confusa.
Esses que a gente aprende com mãe. Que a gente aprende com o olhar de mãe.
Esses mesmos que nos trazem pra perto de novo. Pro aconchego.
Pra certeza de que podemos sair porque podemos voltar.
A qualquer hora.
quarta-feira, 5 de março de 2008
Num coletivo
Eram pouco mais de oito da manhã. Peguei um coletivo.
Mal acabara de entrar e pedi uma informação ao cobrador.
Muito indócil, me respondeu com monossílabos, com um humor
de quem não se alimentava há dias. Eu tive a minha resposta.
Sentei-me.
Minutos depois, um pedacinho de engarrafamento e, mais uma vez, nosso amigo - que havia dormido de calças - murmurava: "O trânsito está péssimo. Tudo engarrafado.".
E não foram mais que dois minutos parados ali, naquele “trânsito péssimo".
Pensei comigo (se é que tem jeito da gente pensar "sem-migo"): o que faz um sujeito ter tanto mau-humor antes das nove da manhã?
Aquietei-me.
E repensei: para mim, são pouco mais de oito horas. Para ele, são muito mais que oito horas da manhã. O sol já raiava há tempos e a labuta já era intensa.
Tem coisas que a gente percebe na vida. Tem coisas que a gente percebe num coletivo. Na relatividade do tempo, cada um suporta uma dor, um humor, um amor.
Mal acabara de entrar e pedi uma informação ao cobrador.
Muito indócil, me respondeu com monossílabos, com um humor
de quem não se alimentava há dias. Eu tive a minha resposta.
Sentei-me.
Minutos depois, um pedacinho de engarrafamento e, mais uma vez, nosso amigo - que havia dormido de calças - murmurava: "O trânsito está péssimo. Tudo engarrafado.".
E não foram mais que dois minutos parados ali, naquele “trânsito péssimo".
Pensei comigo (se é que tem jeito da gente pensar "sem-migo"): o que faz um sujeito ter tanto mau-humor antes das nove da manhã?
Aquietei-me.
E repensei: para mim, são pouco mais de oito horas. Para ele, são muito mais que oito horas da manhã. O sol já raiava há tempos e a labuta já era intensa.
Tem coisas que a gente percebe na vida. Tem coisas que a gente percebe num coletivo. Na relatividade do tempo, cada um suporta uma dor, um humor, um amor.
terça-feira, 4 de março de 2008
Uma camisa alva
- "Vou lavar a camisa pra você não se molhar em água fria."
- "Não precisa. Faço isso rapidinho."
- "Fica tranqüila. Fica quietinha, deitada e deixa comigo. Essa camisa nunca será tão bem lavada."
E não é que a camisa lavou, alva ficou. Com jeito, com cuidado, com zelo. Beirava a perfeição. Como tudo o que faz.
E no olhar e nos gestos tinha o mesmo cuidado. Aquele mesmo que zelava por mim naquela noite de resfriado.
Aquele mesmo que zela por mim em cada raiar de dia, em cada "Bom dia, Flor do dia!".
- "Não precisa. Faço isso rapidinho."
- "Fica tranqüila. Fica quietinha, deitada e deixa comigo. Essa camisa nunca será tão bem lavada."
E não é que a camisa lavou, alva ficou. Com jeito, com cuidado, com zelo. Beirava a perfeição. Como tudo o que faz.
E no olhar e nos gestos tinha o mesmo cuidado. Aquele mesmo que zelava por mim naquela noite de resfriado.
Aquele mesmo que zela por mim em cada raiar de dia, em cada "Bom dia, Flor do dia!".
De amar
A gente ama. Desama. Pensa que ama. E ama de novo.
Às vezes, uma insegurança de amar faz pensar o amor.
Faz trair o próprio coração, faz sair de si, não ser fiel, esconder o sentimento.
Puro medo de amar demais. Medo de sentir demais.
Medo de viver sozinho um amor que é melhor de dois. De par.
De dormir, de acordar.
E o coração caminha por caminhos tortos, às vezes escuros.
Medroso, caído. Coitado!
Devia mesmo era viver o amor. A simplicidade de olhar, de brilhar, de chegar, de encostar.
De trocar. De "carinhar". De dizer segredos e escutá-los em mesmo tom.
De viver de amar. De viver. De amar.
Às vezes, uma insegurança de amar faz pensar o amor.
Faz trair o próprio coração, faz sair de si, não ser fiel, esconder o sentimento.
Puro medo de amar demais. Medo de sentir demais.
Medo de viver sozinho um amor que é melhor de dois. De par.
De dormir, de acordar.
E o coração caminha por caminhos tortos, às vezes escuros.
Medroso, caído. Coitado!
Devia mesmo era viver o amor. A simplicidade de olhar, de brilhar, de chegar, de encostar.
De trocar. De "carinhar". De dizer segredos e escutá-los em mesmo tom.
De viver de amar. De viver. De amar.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
É sempre bom lembrar...
É tão absurdo dizer que um homem não pode amar a mesma mulher toda a vida, quanto dizer que um violinista precisa de diversos violinos para tocar a mesma música.
Honoré de Balzac
Honoré de Balzac
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