sexta-feira, 25 de abril de 2008

Mãe-peixe

Eu ganhei um peixe.
Era pra ser do meu filho, mas, adivinhe quem está cuidando?
Comprei aquário, plantinha, pedrinha, comidinha especial.
Até anti-cloro pra água.
Faz 15 dias hoje. Bonitinho até.
Vermelho. Desses, bem comuns.
Não. Bem especial.
Foi presente da professora da escola.
Ela disse que era pras crianças aprenderem a ter cuidado com outros seres.
Todos os dias, ele me diz que um peixinho morreu.
Acha que os amigos não estão cuidando bem.
Ontem, ele disse: "você sabe mesmo cuidar do peixinho, né, mamãe.
Por isso que eu te dei. Pra você cuidar. Igual você cuida de mim."
Me desarmou.
Era pras crianças aprenderem a cuidar de outros seres.
E eu, que achava que já sabia disso há um bom tempo, é que estou aprendendo mais.
Vai ver era pra ser assim.
Hoje, tentamos achar um nome pra ele.
Estávamos almoçando e ele disse: "você que escolhe, mamãe".
(No fundo, do alto de sua inteligência infantil, ele sabia que era mais do que justo).
Sugeri nomes masculinos, tipo Gilberto, Otávio.
Mas, não fui feliz.
Ouvi um sonoro "arg" seguido de uma linda careta.
"Nome de gente, mamãe!"
(O alto da inteligência infantil, nessa hora, não é suficiente pra entender esses modismos).
Então, continuamos com o nosso peixe.
Ainda sem nome próprio.
Mas, com identidade suficiente pra marcar um lugar especial na nossa vida.

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