quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Poema sem título

Ainda hoje alguém disse: pai, meu grande e eterno amor.
Na hora, o nó na garganta, a lágrima no olhar.

Pai, meu grande e eterno amor.

Ausência mais presente na minha vida.
Dor doída. Doída na alma e na carne.
Dor de amor.
Dor de impotência.

Ainda outro dia, ouvi: um dia vai ficar só a saudade.
Vai nada.

Ausência presente e ausência que dói.
Que é saudade também.

Ora, se é saudade, foi importante.
Faz falta.

Presença e ausência.
Ciranda insana que me faz pensar (pensar?) nas coisas que não posso mais.
Que não vão virar saudade.

Porque não serão mais.

Um sopro

Estava exausta.
Sentei.
Dei um suspiro profundo, quase sem fôlego.
Queria mesmo era chorar.
O ar da minha boca atingiu a toalha e a balançou.
Pensei: estou tão fraca, deve ter sido uma brisa qualquer.
Tentei de novo.
O mesmo balançar.
Percebi, na fraqueza, a força.
Essa que vem de dentro que a gente não sabe onde há.
Sorri.
E mudei o olhar.