Amanhece.
E o sol lá fora esquenta o meu peito.
Céu de outono.
Tempo de trocar as vestes internas.
De preparar para florescer de novo.
O Criador é sábio.
E nós, criaturas, também o seremos.
Se acompanharmos o movimento.
E deixar brotar, cuidar, colher.
E plantar novamente.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
Coisinha munitinha
Entre uma lágrima e outra, sorrio pra você.
Gosto de lembrar de você.
Gosto de lembrar de nós dois.
Não queria ter tido tempo pra te amar mais.
Não lamento.
Amei. E muito.
Desde pequena, cantei pra você:
"ô coisinha, tão munitinha do pai".
E, hoje, escrevo pra você.
Textos que nunca vai ler.
Mas que, prometo, quando te vir de novo, contarei, um a um, só pra você.
Gosto de lembrar de você.
Gosto de lembrar de nós dois.
Não queria ter tido tempo pra te amar mais.
Não lamento.
Amei. E muito.
Desde pequena, cantei pra você:
"ô coisinha, tão munitinha do pai".
E, hoje, escrevo pra você.
Textos que nunca vai ler.
Mas que, prometo, quando te vir de novo, contarei, um a um, só pra você.
Com o Atari foi assim
Tive caxumba.
Aos nove anos, se não me engano.
Tinha que repousar pra doença não descer, é o que diziam.
E ele cuidou de mim.
Sempre cuidou.
Como não podia ir à aula,
me revezava entre o meu quarto e a sala de trelevisão.
E, numa dessas incansáveis e longas tardes,
ele me surpreendeu, mais uma vez.
Ao chegar do trabalho, disse:
"filha, vai lá no carro pra buscar minha jaqueta que esqueci.
Mas, vá devagar, hein?".
Eu obedeci, mais uma vez.
Pensei: se ele pediu deve ser porque está cansado
e isso não vai me fazer mal.
E fui, pensando estar apenas agradando o meu pai.
Quando levantei a jaqueta, meu Atari estava lá.
Eu tinha pedido, havia um tempo e, confesso, já tinha até me esquecido.
Ele não esqueceu.
E, pra alegrar as minhas tardes e
me fazer recuperar mais rápido, trouxe pra mim de surpresa.
E, como sempre, me presenteou duas vezes.
Porque a vida pra ele tinha esse toque especial.
Aos nove anos, se não me engano.
Tinha que repousar pra doença não descer, é o que diziam.
E ele cuidou de mim.
Sempre cuidou.
Como não podia ir à aula,
me revezava entre o meu quarto e a sala de trelevisão.
E, numa dessas incansáveis e longas tardes,
ele me surpreendeu, mais uma vez.
Ao chegar do trabalho, disse:
"filha, vai lá no carro pra buscar minha jaqueta que esqueci.
Mas, vá devagar, hein?".
Eu obedeci, mais uma vez.
Pensei: se ele pediu deve ser porque está cansado
e isso não vai me fazer mal.
E fui, pensando estar apenas agradando o meu pai.
Quando levantei a jaqueta, meu Atari estava lá.
Eu tinha pedido, havia um tempo e, confesso, já tinha até me esquecido.
Ele não esqueceu.
E, pra alegrar as minhas tardes e
me fazer recuperar mais rápido, trouxe pra mim de surpresa.
E, como sempre, me presenteou duas vezes.
Porque a vida pra ele tinha esse toque especial.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Dormir sem você
Preciso de vida, de ar, de luar.
Preciso do seu amar.
Mergulho, profunda, na alma ferida.
Preciso da sua vida.
Encosto, recosto, me enrolo.
Preciso do seu colo.
Choro, me acabo, descabelada agonia.
Preciso da sua alegria.
Enlouqueço, estremeço, adormeço.
Preciso do seu começo.
Acordo, mais calma e risonha.
Ah, deixei isso tudo na fronha.
Preciso do seu amar.
Mergulho, profunda, na alma ferida.
Preciso da sua vida.
Encosto, recosto, me enrolo.
Preciso do seu colo.
Choro, me acabo, descabelada agonia.
Preciso da sua alegria.
Enlouqueço, estremeço, adormeço.
Preciso do seu começo.
Acordo, mais calma e risonha.
Ah, deixei isso tudo na fronha.
domingo, 18 de abril de 2010
Reconhecendo um olhar
Um olhar de paquera: tímido, contraditoriamente, revelador.
Um olhar de carinho: pura ternura e simplicidade.
Um olhar de vitória: entusiasmante.
Um olhar de alegria: contagia.
Um olhar de saudade: suspiro no ar.
Um olhar de conquista: sedutor, chega a ser invasivo.
Um olhar de mulher: aquele que reúne cada uma das pistas acima.
Um olhar de carinho: pura ternura e simplicidade.
Um olhar de vitória: entusiasmante.
Um olhar de alegria: contagia.
Um olhar de saudade: suspiro no ar.
Um olhar de conquista: sedutor, chega a ser invasivo.
Um olhar de mulher: aquele que reúne cada uma das pistas acima.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Bola que rola
Solta.
Marota.
Afoita.
Bola jogada.
Chutada.
Rolada.
Dominada?
Que nada!
Bola que mexe.
Enlouquece.
Corre.
Coração sofre.
Aflição sobe.
E ela desliza,
Me avisa?
O coração ameniza.
Final de partida.
Marota.
Afoita.
Bola jogada.
Chutada.
Rolada.
Dominada?
Que nada!
Bola que mexe.
Enlouquece.
Corre.
Coração sofre.
Aflição sobe.
E ela desliza,
Me avisa?
O coração ameniza.
Final de partida.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Errar é humilde, antes mesmo de ser humano
Não. Definitivamente, eu não sou perfeita.
Nem busco a perfeição.
Quero acertar mais do que errar.
Mas, não quero que os acertos apaguem os erros.
Esses, são valiosos. Talvez, mais do que os outros. Depende do olhar.
Errar é crescer.
Porque errar é assumir, corrigir. E prosseguir.
Errar é humilde, antes mesmo de ser humano.
Sim, definitivamente, erro muito.
E gosto de assumir isso.
Acaso alguém se gloria de errar? Fácil é fazê-lo a cada acerto.
Cada erro, um recomeço. E precisa ser assim. Não por força.
E é entre erros e acertos que sigo a vida, e na vida.
Sigo cantando, brincando, aprendendo e amando.
Quer coisa melhor?
Então, erre. Acerte. Viva. E ame. Muito.
Nem busco a perfeição.
Quero acertar mais do que errar.
Mas, não quero que os acertos apaguem os erros.
Esses, são valiosos. Talvez, mais do que os outros. Depende do olhar.
Errar é crescer.
Porque errar é assumir, corrigir. E prosseguir.
Errar é humilde, antes mesmo de ser humano.
Sim, definitivamente, erro muito.
E gosto de assumir isso.
Acaso alguém se gloria de errar? Fácil é fazê-lo a cada acerto.
Cada erro, um recomeço. E precisa ser assim. Não por força.
E é entre erros e acertos que sigo a vida, e na vida.
Sigo cantando, brincando, aprendendo e amando.
Quer coisa melhor?
Então, erre. Acerte. Viva. E ame. Muito.
domingo, 11 de abril de 2010
Pai, meu Astro
Ele escrevia bem. Muito bem.
E eu o perdi ano passado.
Ao chegar em sua casa, naquele dia de luto,
Ao remexer em seus escritos - ele sabia que eu faria isso -
Descobri um bilhete:
"Vocês não começariam sem mim. Seria como nascer o dia sem o brilho do sol".
Ele tinha Astro no nome. Era um Astro. Meu Astro.
E naquele último trocadilho - e ele gostava bem de fazer isso - ele deixou seu recado.
Pai, não começaríamos sem você. Porque sua luz era fundamental.
E é fundamental. Onde estiver, está luz.
Espero vê-lo, não em breve. Mas, espero ter de novo a sua luz por perto.
Enquanto não nos vemos, vá sendo Astro por aí.
Porque eles também não começariam sem você. Eles esperavam sua estreia.
E eu o perdi ano passado.
Ao chegar em sua casa, naquele dia de luto,
Ao remexer em seus escritos - ele sabia que eu faria isso -
Descobri um bilhete:
"Vocês não começariam sem mim. Seria como nascer o dia sem o brilho do sol".
Ele tinha Astro no nome. Era um Astro. Meu Astro.
E naquele último trocadilho - e ele gostava bem de fazer isso - ele deixou seu recado.
Pai, não começaríamos sem você. Porque sua luz era fundamental.
E é fundamental. Onde estiver, está luz.
Espero vê-lo, não em breve. Mas, espero ter de novo a sua luz por perto.
Enquanto não nos vemos, vá sendo Astro por aí.
Porque eles também não começariam sem você. Eles esperavam sua estreia.
Poder da propaganda
Foi num almoço de domingo.
Adoro cozinhar. Comidinha simples.
Tudo pronto, sentamos à mesa.
Após a primeira garfada,
entre um longo "hum" e a próxima porção,
meu filho perguntou: mamãe, você usou Sazon?
E, antes que eu pudesse responder,
ele mesmo comentou: nem precisa, né? Você faz sempre com amor.
Adoro cozinhar. Comidinha simples.
Tudo pronto, sentamos à mesa.
Após a primeira garfada,
entre um longo "hum" e a próxima porção,
meu filho perguntou: mamãe, você usou Sazon?
E, antes que eu pudesse responder,
ele mesmo comentou: nem precisa, né? Você faz sempre com amor.
sábado, 10 de abril de 2010
Nobre gari
Corre e corre,
sobe e desce,
entra e sai.
Um cesto aqui,
outro ali.
Cada vassoura, um sorriso.
Mesmo horário,
mesma alegria,
mesma energia.
É aquele que vai,
todos os dias, por ruas e ruas,
no mesmo entra e sai.
sobe e desce,
entra e sai.
Um cesto aqui,
outro ali.
Cada vassoura, um sorriso.
Mesmo horário,
mesma alegria,
mesma energia.
É aquele que vai,
todos os dias, por ruas e ruas,
no mesmo entra e sai.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
A minha fé
Conversando com um amigo, falamos de fé.
A minha é no amor.
Amor que cria, que me criou.
"Ele" é amor, é essência, é vida.
É proximidade.
Essa é a minha fé:
que existe alguém que cuida de mim, que cuida dos meus,
que cuida dos tantos que não são meus,
que está perto, que anda junto,
que alimenta, abraça, chora e ri,
que me ouve e me fala.
Sem rodeios, sem meios-termos, com intimidade.
A minha é no amor.
Amor que cria, que me criou.
"Ele" é amor, é essência, é vida.
É proximidade.
Essa é a minha fé:
que existe alguém que cuida de mim, que cuida dos meus,
que cuida dos tantos que não são meus,
que está perto, que anda junto,
que alimenta, abraça, chora e ri,
que me ouve e me fala.
Sem rodeios, sem meios-termos, com intimidade.
domingo, 4 de abril de 2010
[...]
Um ponto.
Um Conto.
Um Conto que conto.
Conto? Que Conto?
Um Conto de encontro.
De ponto em ponto
Eu conto esse Conto.
Que começou com três pontos [...]
E segue sem ponto [.]
Um Conto sem ponto.
Só um Conto de encontro.
Ponto. Ponto. Ponto.
Um Conto.
Um Conto que conto.
Conto? Que Conto?
Um Conto de encontro.
De ponto em ponto
Eu conto esse Conto.
Que começou com três pontos [...]
E segue sem ponto [.]
Um Conto sem ponto.
Só um Conto de encontro.
Ponto. Ponto. Ponto.
sábado, 3 de abril de 2010
Nuvens
O dia amanheceu calmo, não claro.
Ao longe, percebia um lindo azul, entre as nuvens que, insistentes,
apareciam mais do que ele.
Brigonas. São fortes. São densas.
Sobressaem mesmo.
E o azul, de tímido, sumiu.
A tarde caiu e o cinza se firmou.
De tão densas - tensas, eu diria - esboçaram emoção.
Armaram-se. Quase choraram.
Pararam. Deram corpo ao céu, hoje, nada estrelado.
A noite chega. Cinza, não negra.
A lua, seguramente, perderá seu espaço.
Estrelas, só amanhã.
Num dia sem cor, sem brilho lá fora, escrevo às nuvens, estrelas, por ora:
"Desarmem-se, chorem, lavem as almas! As suas e as nossas".
Ao longe, percebia um lindo azul, entre as nuvens que, insistentes,
apareciam mais do que ele.
Brigonas. São fortes. São densas.
Sobressaem mesmo.
E o azul, de tímido, sumiu.
A tarde caiu e o cinza se firmou.
De tão densas - tensas, eu diria - esboçaram emoção.
Armaram-se. Quase choraram.
Pararam. Deram corpo ao céu, hoje, nada estrelado.
A noite chega. Cinza, não negra.
A lua, seguramente, perderá seu espaço.
Estrelas, só amanhã.
Num dia sem cor, sem brilho lá fora, escrevo às nuvens, estrelas, por ora:
"Desarmem-se, chorem, lavem as almas! As suas e as nossas".
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Pai
Sempre digo que a gente só sente saudade de coisa boa.
Então, é isso.
Sinto muita saudade de você, minha coisa boa!
Então, é isso.
Sinto muita saudade de você, minha coisa boa!
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