domingo, 24 de outubro de 2010

Estou um pouco sumida daqui, me aventurando por aí,
escrevendo um romance de ficção.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Como uma árvore

Ele nasceu em 21 de setembro.
Foi a raiz que me sustentou e me ligou à terra.
Foi tronco que endireitou meus caminhos e que me fez querer crescer cada vez mais.
Foi copa viçosa, vibrante, que me mostrou a leveza da vida, o gosto do vento.
Foi fruto que alimentou meu corpo e minha alma.
Germinou, cresceu, frutificou. Cumpriu o ciclo da vida.
Hoje é semente, de volta à terra.
Hoje, sou só saudade.
Saudade de amá-lo de perto.
E de deitar à sua sombra mais uma vez.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Pezinho

Deitei com ele.
Faço isso todos os dias.
"Fica um pouco, mamãe?"
Quem resiste?
Ali, juntinhos, ele passou seu pezinho pelos meus,
dando uma volta, me prendendo, pra eu ficar mesmo por ali.
Nesse momento, percebi como ele cresceu.
Antes, eu o enlaçava em meus braços e o protegia.
Agora, ele se enrosca, me cerca e me protege.
Ah! Agora, não.
Sempre. Desde que nasceu.

sábado, 21 de agosto de 2010

Foi por amor

Uma amiga, querida, distante por circunstâncias da vida, me ligou, consternada:

“amiga, querida! Quanto tempo! O que é isso? Me conte o que aconteceu com seu pai. Minha linda, me desculpe, eu não sabia...”

Difícil demais, amiga, de repente, ano passado.

“Me conta como foi, se não te machucar muito? Ele era muito querido.”

Machuca não. Quando conto, pareço estar narrando uma história. Parece não ser comigo.

Ele chegou lá em casa, numa noite depois do Natal.
Estava com frio e suando e disse estar com uma afta na boca.
Eu o abracei e falei, durma aqui essa noite, quentinho, e amanhã vamos ao hospital.
Você o conhecia, ele era teimoso e se achava mais forte que qualquer remédio.
Passou dezembro e no meio de janeiro, ele voltou assustado: “filha, veja o que é isso? Aquela afta estourou.”
Meu Deus, pai! O que é isso? Como você deixou isso ficar assim.
Eu jamais tinha visto uma ferida tão feia, tão maligna.
Por si só, revelava a gravidade.
Ele, mais uma vez, não quis ir ao médico.
Liguei pra minha mãe. Socorro, mãe.
Meu pai está doente e não tem nada que o faça ir ao médico.
Ele disse que vai pra sua casa.
Por favor, leve-o ao hospital.
Mãe, eu já sei o que é. Bastava olhar uma vez.
“Fique calma, minha filha. Vamos pedir a Deus.”
Semana seguinte, o resultado: metástase avançada.
Era meio de janeiro.
Minha vida estava de cabeça pra baixo.
Eu havia recebido um convite especial pra voltar ao Espírito Santo.
Pedi pra pensar.
Conversei com ele.
Sempre muito sensato e pensando em nós em primeiro lugar:
“Déa, minha filha, você sabe que, por mim, você nem teria voltado de lá.
Lá é o seu lugar. Terra boa, de gente que te reconheceu e valorizou.
Sem contar o mar que você ama tanto.
Olha, não sei o que vai acontecer daqui pra frente.
Essa doença, quando aparece, só se fortalece.
Não gosto nem de falar o nome, mas, sei que é assim.
É só jogar a luz nela que ela jamais se apaga.
Então, se eu posso interferir na sua decisão, vá.
Estarei com você o tempo todo.
Como sempre foi.
Lembra quando a gente ia pra praia conversar à toa?”
Parei um minuto.
Chorei.
Vou ver, pai. Vou pensar.
Sua cirurgia está marcada pra março. Quem sabe eu peço pra eles esperarem um pouco e vou depois que você estiver bem?
“Não precisa. Eles te querem agora. Vá ajudar. Vieram te buscar aqui de novo.
Você fez falta e eles confiam em você. Vá sim.”
Marquei minha ida pra 27 de fevereiro, uma sexta-feira.
A cirurgia dele seria dia 10 de março.

Sábado, 28 de fevereiro de 2009.

Em meio a caixas e caixas de mudança, um calor de quase 40 graus em Vila Velha, minha mãe me ligou na hora do almoço: “filha, tudo bem?”
Sim, mãe. Muito calor, a casa ainda está uma bagunça, mas, tudo bem.
E meu pai?
“Ele está bem. Já me ajudou com os pedreiros de manhã, arrumou algumas coisas. Estamos almoçando agora.”
Mande um beijo pra ele. Mais tarde eu ligo pra conversar direito.
Está muito confuso ainda por aqui. Mas, estou feliz. Diga a ele.
“Tá, filha. Ele escutou, deu um sorriso e um suspiro de alívio”.
Caindo a noite, ela ligou de novo.
Chorando muito.
Logo perguntei. Meu pai piorou, mãe, o que foi? Fala!

“Seu pai morreu, filha!”

Você é louca, mãe? Chame o meu pai aí. Eu quero falar com ele.
Chama, chama. Você é louca! Eu quero o meu pai!
Falei que ia ligar de noite pra falar com ele. Chama ele, mãe!

“Filha, eu queria muito chamar, mas, não posso.
Vem logo. Tô te esperando aqui.”

Não me lembro de muita coisa depois.
Junior estava comigo, claro. Com os meus gritos, veio correndo da sala.
Me segurou, colocou no chuveiro e fez o que pôde.
Entramos no carro de volta pra Minas.
Na casa de minha mãe, só quis perguntar: o que aconteceu, mãe?
Como foi isso? E a cirurgia?
E, agora, quem vai me chamar de Déa?

Ela não sabia o que dizer.
Apenas relatou: “almoçamos, falamos com você. Ele subiu e foi deitar.
Estava com dor de cabeça.
Quando foi à tardinha, eu ia à padaria e resolvi chamá-lo pra ir comigo.
Chamei.
Ele não respondeu, filha.”

Um tempo depois, ela contou detalhes do almoço.
Disse: “depois daquela ligação, ele deu um longo suspiro,
como se estivesse tranquilo porque você estava bem e tinha atendido ao pedido dele de fato. Sabe, filha, tenho a impressão de que ele descansou depois disso.
Ele não queria dar trabalho pra vocês. Vocês têm uma vida agitada, muitos compromissos e ele gostava de vê-las assim.
Ele vivia pra vocês e não saberia lidar com o contrário.
Nós sabemos como a cirurgia seria invasiva e sem promessas de recuperação...”

Foi isso, amiga.
Quando me perguntam sobre o que aconteceu com meu pai, eu respondo sempre:
ele morreu por amor.

“Eu sinto muito, amiga”.

Não sinta. Me alivia dividir essa história de amor.
Apesar do nó na garganta, dos olhos marejados, do peito apertado e dessa falta que nada vai preencher.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Angústia no peito aperta demais hoje

Ele vai ficando cada vez mais distante.
Lembrar dele é longe.
É vazio na alma.
Pego o porta-retrato, aperto contra o peito.
Balanço, grito, "vive, pai"!
Quem dera desse certo.
Só um retrato, um pedaço de papel.
Que tantas lembranças carrega.
Eu carrego.
Nada adianta.
Ele se foi.
Cada vez a distância é maior.
Lembrar não conforta.
Só aperta a dor.
Eu sabia que seria assim.
Mais cedo ou mais tarde.
Queria que fosse nunca.

Quartas de final da Copa 2010

Em casa, nós três.
A gente curte assistir aos jogos assim, grudados, os três.
E, estava frio, nos aconchegamos mais.
O tempo foi passando, gol a favor, gol contra.
Outro gol contra.
Os minutos passavam ainda mais depressa.
Fim de jogo.
Olhei pro lado, apertei sua mãozinha - pra mim, sempre será mãozinha.
Lágrimas rolando e soluços ficando mais altos.
Queria confortá-lo, mas, ele o fez antes mesmo de eu tentar:
"mamãe, fica triste não. Daqui a oito anos eu vou ajudar a seleção a vencer a Copa".
Foi a minha vez de encher os olhos.
Emendei o assunto: "que bom, filho. A gente tem que se preparar, então, treinar muito. Afinal, em qual time você pretende jogar até lá?".
Sem hesitar, ele respondeu: "não sei, mamãe. Vai depender das oportunidades".
Não sei se rio ou se choro.
Sei que me orgulho da cria.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Empurrãozinho

Um dia, pensei ter levado uma rasteira da vida.
É comum pensar assim, pra justificar uma ou outra questão.
Mas, cheguei à conclusão de que não fora uma rasteira.
Foi apenas um empurrãozinho, desses que impulsionam.
Uma ajeitada de leve no curso da vida.

domingo, 4 de julho de 2010

Vício

Eu tenho um vício.
Vício de viver.
Viver sem vergonha.
Risonha.
Exposta à vida.
Querida!
Viver sem temor.
Calor.
Viver cada dia.
Alegria.
Viver no compasso.
Meu espaço.
Às vezes, sobressalto.
É fato.
Viver é um vício.
Meu vício.
Início.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

28

Não acredito em numerologia.
Mas, fato é que o dia 28 se tornou uma expressão em minha vida.
Há 10 anos.
Em 28 de junho de 2000, dei à luz um menino lindo, abençoado.
Seis anos e meio depois, em 28 de dezembro, veio ao mundo minha sobrinha linda, dos cachinhos de ouro.
Naquele triste 28 de fevereiro de 2009, deixou-me meu pai, amor, eterno amor.
E o ano ainda reservou mais uma perda. 28 de outubro, foi a vez do meu avô descansar em paz.
A alegria revive neste 28 de junho de 2010: nasce meu sobrinho, 10 anos depois, mais um príncipe na família.
Assim é a expectativa desse dia. Alternância de sentimentos, chegadas e partidas.

28 também permeia minha história de amor.
28 é entre 26 e 30, entre o meu nascimento e o seu, entre mim e você.
Número que nos une, sempre com um abraço, seja por que motivo for.
28 é uma surpresa, um frio no peito, um amor, uma dor.
Mas, sempre que é dor, é dor de amor.
28.
É 2. É 8. É 10. É 1.
E 1 é início. Começar e recomeçar a contar.
Contar o tempo diferente, a vida diferente.
Outro 28 vai chegar. Quero você lá, pra me abraçar.
Porque, sinceramente, não sei o que esperar. É sempre, esperar.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Percepção

Percebi que vivo a vida intensamente para amenizar a dor que eu sinto pela falta do meu pai. E, para aproveitar cada minuto ao lado dos que amo.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Pedido

Às vezes, desmorono.
Às vezes, adormeço.
Sinto um cansaço no corpo, na alma, no peito.
Desse que não se controla.
Que, quando se vê, já está.
Que é apenas o corpo pedindo pra alma um pouco de silêncio.
Silêncio pra ouvir apenas a sua voz.
“Me dê outro ritmo, pare um segundo, só um segundo”.
E eu, numa noite longa de domingo, adormeço.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Espera

Espera é angústia, é dor, é frio no peito.
Espera é saudade, é uma forma de amor.
Espera é bem.
É sabor, é vigor.
Espera é ausência, é presença.
Espera é paz, é eternidade.
Espera é você me batendo à porta:
amor, cheguei. Não me espere mais.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sempre

Amo-te tanto. E hoje.
Hoje é sempre, é o que tenho, o que posso.
Sempre é agora.
Por isso, afirmo.
Amo-te tanto. E sempre.
Se fores um dia pra longe, não deixes sinais.
Não quero encontrá-lo.
Porque amo-te sempre. E sempre é hoje.

sábado, 29 de maio de 2010

Casou

Linda, trêmula, emocionada.
Radiante, como o brilho do sol.
Flores no cabelo, no vestido, na pele.
À flor da pele.
Sorriso largo, coração palpitante.
Passos acelerados, descompasso.
Contagiada, contagiante.
Seu olhar procurava a segurança do olhar dele.
E o fitou. De modo intenso. Ficou segura.
Seguiu, subiu os degraus.
Abriu o coração, fez promessas e juras.
Confirmou o amor.
Casou.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Boa noite

Os olhos pesam,
Pensamentos já se vão.
Desordenados.
Luta injusta, insana, desleal.
Hora de ceder.
Boa noite. Tchau.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Autodefinição

Poucos veem a tempestade interna.
A maioria conhece a calmaria.
Você escolhe ficar com a primeira ou com a segunda opção.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Por fora e por dentro

Escolhi o momento de ser mãe.
Escolhi o Lucas. E ele me escolheu.
Somos iguais.
Por fora e por dentro.
Com todas as manhas e artimanhas.
Somos dois, somos um.
Qualquer dia desses, fato, seremos mais dois do que um.
Fisicamente.
Porque a vida segue seu rumo.
Mas, nesse mesmo dia, seremos tão um, tão um!
Cada vez mais unidos, exatamente pela liberdade que haveremos de nos dar.

sábado, 1 de maio de 2010

Simples assim

Não me importo em incomodar você.
Sei que mexi com a sua vida e que tenho feito você pensar.
Você sabe. E dá pistas a cada dia.

Fico feliz em fazer parte disso.

Mas, me importarei se você me incomodar.
Porque não sou dona dessa situação.
Mas, sou dona de mim e de minhas palavras e gestos.

Ponto de vista

Dedique-se a inovar cada vez mais o seu dia a dia,
a viver intensamente e a amar todas as coisas.
E sua vida será um conto de fadas.
Visto sempre pelo ângulo dos mocinhos.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Movimento natural

Amanhece.
E o sol lá fora esquenta o meu peito.
Céu de outono.
Tempo de trocar as vestes internas.
De preparar para florescer de novo.
O Criador é sábio.
E nós, criaturas, também o seremos.
Se acompanharmos o movimento.
E deixar brotar, cuidar, colher.
E plantar novamente.

domingo, 25 de abril de 2010

Coisinha munitinha

Entre uma lágrima e outra, sorrio pra você.
Gosto de lembrar de você.
Gosto de lembrar de nós dois.
Não queria ter tido tempo pra te amar mais.
Não lamento.
Amei. E muito.
Desde pequena, cantei pra você:
"ô coisinha, tão munitinha do pai".
E, hoje, escrevo pra você.
Textos que nunca vai ler.
Mas que, prometo, quando te vir de novo, contarei, um a um, só pra você.

Com o Atari foi assim

Tive caxumba.
Aos nove anos, se não me engano.
Tinha que repousar pra doença não descer, é o que diziam.
E ele cuidou de mim.
Sempre cuidou.
Como não podia ir à aula,
me revezava entre o meu quarto e a sala de trelevisão.
E, numa dessas incansáveis e longas tardes,
ele me surpreendeu, mais uma vez.
Ao chegar do trabalho, disse:
"filha, vai lá no carro pra buscar minha jaqueta que esqueci.
Mas, vá devagar, hein?".
Eu obedeci, mais uma vez.
Pensei: se ele pediu deve ser porque está cansado
e isso não vai me fazer mal.
E fui, pensando estar apenas agradando o meu pai.
Quando levantei a jaqueta, meu Atari estava lá.
Eu tinha pedido, havia um tempo e, confesso, já tinha até me esquecido.
Ele não esqueceu.
E, pra alegrar as minhas tardes e
me fazer recuperar mais rápido, trouxe pra mim de surpresa.
E, como sempre, me presenteou duas vezes.
Porque a vida pra ele tinha esse toque especial.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dormir sem você

Preciso de vida, de ar, de luar.
Preciso do seu amar.

Mergulho, profunda, na alma ferida.
Preciso da sua vida.

Encosto, recosto, me enrolo.
Preciso do seu colo.

Choro, me acabo, descabelada agonia.
Preciso da sua alegria.

Enlouqueço, estremeço, adormeço.
Preciso do seu começo.

Acordo, mais calma e risonha.
Ah, deixei isso tudo na fronha.

domingo, 18 de abril de 2010

Reconhecendo um olhar

Um olhar de paquera: tímido, contraditoriamente, revelador.
Um olhar de carinho: pura ternura e simplicidade.
Um olhar de vitória: entusiasmante.
Um olhar de alegria: contagia.
Um olhar de saudade: suspiro no ar.
Um olhar de conquista: sedutor, chega a ser invasivo.

Um olhar de mulher: aquele que reúne cada uma das pistas acima.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Bola que rola

Solta.
Marota.
Afoita.

Bola jogada.
Chutada.
Rolada.
Dominada?
Que nada!

Bola que mexe.
Enlouquece.
Corre.
Coração sofre.
Aflição sobe.

E ela desliza,
Me avisa?
O coração ameniza.

Final de partida.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Errar é humilde, antes mesmo de ser humano

Não. Definitivamente, eu não sou perfeita.
Nem busco a perfeição.
Quero acertar mais do que errar.
Mas, não quero que os acertos apaguem os erros.
Esses, são valiosos. Talvez, mais do que os outros. Depende do olhar.
Errar é crescer.
Porque errar é assumir, corrigir. E prosseguir.

Errar é humilde, antes mesmo de ser humano.

Sim, definitivamente, erro muito.
E gosto de assumir isso.
Acaso alguém se gloria de errar? Fácil é fazê-lo a cada acerto.
Cada erro, um recomeço. E precisa ser assim. Não por força.

E é entre erros e acertos que sigo a vida, e na vida.
Sigo cantando, brincando, aprendendo e amando.
Quer coisa melhor?
Então, erre. Acerte. Viva. E ame. Muito.

domingo, 11 de abril de 2010

Pai, meu Astro

Ele escrevia bem. Muito bem.
E eu o perdi ano passado.
Ao chegar em sua casa, naquele dia de luto,
Ao remexer em seus escritos - ele sabia que eu faria isso -
Descobri um bilhete:
"Vocês não começariam sem mim. Seria como nascer o dia sem o brilho do sol".

Ele tinha Astro no nome. Era um Astro. Meu Astro.
E naquele último trocadilho - e ele gostava bem de fazer isso - ele deixou seu recado.

Pai, não começaríamos sem você. Porque sua luz era fundamental.
E é fundamental. Onde estiver, está luz.
Espero vê-lo, não em breve. Mas, espero ter de novo a sua luz por perto.
Enquanto não nos vemos, vá sendo Astro por aí.
Porque eles também não começariam sem você. Eles esperavam sua estreia.

Poder da propaganda

Foi num almoço de domingo.
Adoro cozinhar. Comidinha simples.
Tudo pronto, sentamos à mesa.
Após a primeira garfada,
entre um longo "hum" e a próxima porção,
meu filho perguntou: mamãe, você usou Sazon?
E, antes que eu pudesse responder,
ele mesmo comentou: nem precisa, né? Você faz sempre com amor.

sábado, 10 de abril de 2010

Nobre gari

Corre e corre,
sobe e desce,
entra e sai.
Um cesto aqui,
outro ali.
Cada vassoura, um sorriso.
Mesmo horário,
mesma alegria,
mesma energia.
É aquele que vai,
todos os dias, por ruas e ruas,
no mesmo entra e sai.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A minha fé

Conversando com um amigo, falamos de fé.

A minha é no amor.
Amor que cria, que me criou.

"Ele" é amor, é essência, é vida.
É proximidade.

Essa é a minha fé:
que existe alguém que cuida de mim, que cuida dos meus,
que cuida dos tantos que não são meus,
que está perto, que anda junto,
que alimenta, abraça, chora e ri,
que me ouve e me fala.

Sem rodeios, sem meios-termos, com intimidade.

domingo, 4 de abril de 2010

[...]

Um ponto.
Um Conto.
Um Conto que conto.
Conto? Que Conto?
Um Conto de encontro.
De ponto em ponto
Eu conto esse Conto.
Que começou com três pontos [...]
E segue sem ponto [.]
Um Conto sem ponto.
Só um Conto de encontro.
Ponto. Ponto. Ponto.

sábado, 3 de abril de 2010

Nuvens

O dia amanheceu calmo, não claro.
Ao longe, percebia um lindo azul, entre as nuvens que, insistentes,
apareciam mais do que ele.
Brigonas. São fortes. São densas.
Sobressaem mesmo.
E o azul, de tímido, sumiu.

A tarde caiu e o cinza se firmou.
De tão densas - tensas, eu diria - esboçaram emoção.
Armaram-se. Quase choraram.
Pararam. Deram corpo ao céu, hoje, nada estrelado.

A noite chega. Cinza, não negra.
A lua, seguramente, perderá seu espaço.
Estrelas, só amanhã.

Num dia sem cor, sem brilho lá fora, escrevo às nuvens, estrelas, por ora:
"Desarmem-se, chorem, lavem as almas! As suas e as nossas".

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Pai

Sempre digo que a gente só sente saudade de coisa boa.
Então, é isso.
Sinto muita saudade de você, minha coisa boa!

terça-feira, 30 de março de 2010

À Maria Ângela Galvão

Nascida pernambucana.
Crescida Brasil afora.
Vivida.
Descontraída.

Sei tão pouco. Conheço tão muito.

Sorriso aberto, sincero, seu.
Sotaque arretado, desperta emoções.

De muitas palavras, de muitas ideias.
Vivaz, contagiante.
Forte, forte.
Sabe lá de onde vem tanta força. Talvez das andanças. Ou força de fé.

Amiga, querida.
Faz falta ao meu lado. Só fisicamente.
Me trouxe pra perto.
E te tenho perto.

Maria, amada.
Te tenho respeito.
Te tenho carinho. Te tenho na alma.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Passo das 19h, fácil, fácil

Uma bebida light para encerrar a tarde.
Tarde de trabalho. Esse, só começando.
Criei esse hábito.

Passo das 19h, fácil, fácil.

Em meio a palavras, versos, linhas sem fim.
Gosto disso. Não acho trabalho. Por favor, desconsiderem o que eu disse.
Personalizando o popular: escrever, é só começar.

Passo das 19h, fácil, fácil.

As ideias surgem, se juntam.

Esboço um poema.
Imaginação sem fim.
Puro sentimento.
Sentimento que brota de um coração sereno.

Que inunda a alma e me deixa um sorriso no rosto.
Sorrio de mim, sorrio para mim. E contagio.
Alguém me olha e pergunta: o que você está lendo aí que te deixou o semblante suave? Você parece conversar com o computador!

Converso sim. Converso comigo, com minhas palavras, meus sentimentos.
Converso com a alma. Minha alma.

E nesse papo infinito de boas ideias, afirmo: passo das 19h, fácil, fácil.

domingo, 28 de março de 2010

Afinal, mais vale o sal

Terça-feira. É Carnaval.
Um sol tímido e sorrateiro
Não decide se sai ou não sai.
Mas, pra quê sair o sol,
Mais vale o sal, é Carnaval.

Tias, primas, irmãs, amigas
Conhecida, desconhecida,
Vem chegando gente,
Vem chegando vida.

E a areia quente e clara
(mais quente do que clara)
Se enche de gente, se enche de história
De gente que vem e vai embora.

Azul vira esperança,
Amarelo, brincadeira de criança,
Verde é água, é limão, é bandeira.
Vermelho vida, paixão, é sangria
Desatada pra viver a alegria.

Tantas histórias, tantas vidas
Tantas histórias de vida,
Com ou sem capricho do sol,
Tantas histórias vividas.
Histórias de Carnaval.
Afinal, mais vale o sal.