domingo, 25 de abril de 2010

Com o Atari foi assim

Tive caxumba.
Aos nove anos, se não me engano.
Tinha que repousar pra doença não descer, é o que diziam.
E ele cuidou de mim.
Sempre cuidou.
Como não podia ir à aula,
me revezava entre o meu quarto e a sala de trelevisão.
E, numa dessas incansáveis e longas tardes,
ele me surpreendeu, mais uma vez.
Ao chegar do trabalho, disse:
"filha, vai lá no carro pra buscar minha jaqueta que esqueci.
Mas, vá devagar, hein?".
Eu obedeci, mais uma vez.
Pensei: se ele pediu deve ser porque está cansado
e isso não vai me fazer mal.
E fui, pensando estar apenas agradando o meu pai.
Quando levantei a jaqueta, meu Atari estava lá.
Eu tinha pedido, havia um tempo e, confesso, já tinha até me esquecido.
Ele não esqueceu.
E, pra alegrar as minhas tardes e
me fazer recuperar mais rápido, trouxe pra mim de surpresa.
E, como sempre, me presenteou duas vezes.
Porque a vida pra ele tinha esse toque especial.

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