Eram pouco mais de oito da manhã. Peguei um coletivo.
Mal acabara de entrar e pedi uma informação ao cobrador.
Muito indócil, me respondeu com monossílabos, com um humor
de quem não se alimentava há dias. Eu tive a minha resposta.
Sentei-me.
Minutos depois, um pedacinho de engarrafamento e, mais uma vez, nosso amigo - que havia dormido de calças - murmurava: "O trânsito está péssimo. Tudo engarrafado.".
E não foram mais que dois minutos parados ali, naquele “trânsito péssimo".
Pensei comigo (se é que tem jeito da gente pensar "sem-migo"): o que faz um sujeito ter tanto mau-humor antes das nove da manhã?
Aquietei-me.
E repensei: para mim, são pouco mais de oito horas. Para ele, são muito mais que oito horas da manhã. O sol já raiava há tempos e a labuta já era intensa.
Tem coisas que a gente percebe na vida. Tem coisas que a gente percebe num coletivo. Na relatividade do tempo, cada um suporta uma dor, um humor, um amor.
quarta-feira, 5 de março de 2008
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