quarta-feira, 16 de abril de 2008

Delicadezas da hora do almoço

Era hora do almoço.
Estava trabalhando e, de repente, a campainha tocou.
No fundo, no fundo, eu já sabia. Era ele.
De surpresa. Surpresa boa.
Com um abraço apertado o recebi.
E ele, sussurrando ao meu ouvido, apertando ainda mais o meu corpo contra o seu, dizia que a saudade tinha apertado, que ele veio caminhando, caminhando e que, de repente, estava aqui. E disse ainda que veio também para ter certeza de que eu almoçaria bem. E na hora certa.

Cuidado duplo.

Ficamos ali, no sofá, 40 minutos, trocando carinhos de gestos e de palavras.
Antes de ir embora, já na porta, ele ainda deixou outro presente.

- Quer uma bala pra adoçar a sua tarde de trabalho? - disse eu.

- Quero não. Eu já tenho a bala mais gostosa do mundo. E não é a mais gostosa só pelo gosto, mas, porque você me deu com tanto carinho. Sabe que eu até estou com dó de comer? Pra não acabar logo.

Vi essa bala, despretensiosamente, no caixa do supermercado.
Me chamou a atenção a embalagem, uma caixinha em forma de coração.
Nem sabia o gosto.
Ele provou e amou. Fala da bala sempre que falamos sobre doces.

E, assim, a gente vai adoçando a vida.

Descobrindo sabores.

Alimentando o amor.

Bom dia

- Ei, só liguei pra dizer "bom dia"!
- Bom dia, flor do dia lindeza!

Era só pra dizer bom dia. E ouvi uma declaração singela.

Pára. E anda.

Não eram 9h da manhã de hoje e eu já havia sido chamada de "uma mulher especial" três vezes.
Conselhos sobre felicidade, sobre deixar-se amar e se permitir também chegaram nesse período de tempo.

Paro e reflito um pouco sobre isso tudo.

Quem é essa "mulher especial" que todos enxergam?
Por que ela não se enxerga?
Por que ela não merece essa felicidade, esse amor, a realização plena na vida?

Pára, moça. Pára.

Você ainda é jovem e ainda dá tempo de rever as coisas.
Ainda dá tempo de reconhecer tudo o que você tem de bom, de encantador, de cativante. Ainda dá tempo de reconhecer a sua essência. E de confiar nela.
Ainda dá tempo de se cuidar. De se aceitar. De se engrandecer em si mesma.
Sem soberba. Com realidade.

Pára, moça. Pára.

Ainda dá tempo de viver esse amor. De aceitar ser amada. De trocar, de compartilhar. De confiar. De merecer. De saber que merece.

Anda, moça. Anda.

Vai se olhar no espelho. Vai se enxergar por dentro.
Deixa aflorar seus encantos, deixa aflorar seus desejos. Sem medos, sem anseios.

Vai ser feliz por inteiro. Vai viver o momento.

Vai se amar primeiro.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Lição

A vida dá cada volta na gente...

Estava navegando e parei no "parafrancisco", da Cris Guerra.
Confesso que o leio quase todos os dias, mas, hoje, especialmente, foi um dia especial.
Imediatamente, linkei para a reportagem exibida no último Globo Repórter. A Cris dava um testemunho sobre superação.

Estou em lágrimas até agora.

Fui vendo, ouvindo e avaliando como aquela história estava mexendo comigo.
Quão mesquinha estou sendo perdendo minutos da minha vida pensando em problemas tão pequenos.

Não estou dizendo que a história da Cris seja um problema. Muito menos que seja um problema maior que o meu. Se for, foi.
O que vejo ali é uma superação constante, uma energia inesgotável, uma lição de vida, de verdade, de entrega.

Cris, você soube viver o amor. E eu, vivo às voltas com o meu.
Vivo desconfiando, procurando motivos pra não aceitá-lo.
Achando, muitas vezes inconscientemente, que não o mereço, que não sou digna de vivê-lo.
Não me pergunte o porquê.

Talvez, após ver essa história, após ler o que você escreve, eu possa mudar.
Que eu devo, devo. E muito. Não dá para viver nessa tormenta diária. Tormenta que eu mesma crio.

Obrigada, Cris, pelas palavras. Obrigada pela vida.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

De gestos e de palavras

Ele é de gestos.

Estávamos numa loja e meus olhos brilharam pela camisa nova do nosso time de
futebol. Os dele também - essa é uma paixão que cultivamos juntos.
Ele, sempre atento, chegou ao meu ouvido dizendo:
- "Leva, tá linda!".
Ok, ok.
Fui ao caixa e a vendedora perguntou:
- "Presente?".
Antes mesmo que eu pudesse responder, ele me interrompeu:
- "É, presente. Meu presente pra ela.".
Eu disse, com os olhos emocionados:
- "Mas, você não comprou nem pra você e está me dando esse presente!".
E ele completou:
- "Presentear você é um presente pra mim.".

Ele é de palavras também.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Filha

De repente,
percebi que
ser filha é
ouvir conselhos noite adentro,
entre um bocejo e outro,
de alguém que
(você sabe)
nunca cobraria por eles.

Um sono bom

Estava vendo você dormir, filho.
Um sono bom.
Um sono justo.
Um sono inocente.
Quisera eu ter esse semblante ao dormir.
Quisera eu dormir inocente.
No vai-e-vem dos dias, muitos senões me tiram a inocência.
E, quando chega a noite, deito, cerro os olhos.

E não adormeço.