segunda-feira, 29 de março de 2010

Passo das 19h, fácil, fácil

Uma bebida light para encerrar a tarde.
Tarde de trabalho. Esse, só começando.
Criei esse hábito.

Passo das 19h, fácil, fácil.

Em meio a palavras, versos, linhas sem fim.
Gosto disso. Não acho trabalho. Por favor, desconsiderem o que eu disse.
Personalizando o popular: escrever, é só começar.

Passo das 19h, fácil, fácil.

As ideias surgem, se juntam.

Esboço um poema.
Imaginação sem fim.
Puro sentimento.
Sentimento que brota de um coração sereno.

Que inunda a alma e me deixa um sorriso no rosto.
Sorrio de mim, sorrio para mim. E contagio.
Alguém me olha e pergunta: o que você está lendo aí que te deixou o semblante suave? Você parece conversar com o computador!

Converso sim. Converso comigo, com minhas palavras, meus sentimentos.
Converso com a alma. Minha alma.

E nesse papo infinito de boas ideias, afirmo: passo das 19h, fácil, fácil.

domingo, 28 de março de 2010

Afinal, mais vale o sal

Terça-feira. É Carnaval.
Um sol tímido e sorrateiro
Não decide se sai ou não sai.
Mas, pra quê sair o sol,
Mais vale o sal, é Carnaval.

Tias, primas, irmãs, amigas
Conhecida, desconhecida,
Vem chegando gente,
Vem chegando vida.

E a areia quente e clara
(mais quente do que clara)
Se enche de gente, se enche de história
De gente que vem e vai embora.

Azul vira esperança,
Amarelo, brincadeira de criança,
Verde é água, é limão, é bandeira.
Vermelho vida, paixão, é sangria
Desatada pra viver a alegria.

Tantas histórias, tantas vidas
Tantas histórias de vida,
Com ou sem capricho do sol,
Tantas histórias vividas.
Histórias de Carnaval.
Afinal, mais vale o sal.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Poema sem título

Ainda hoje alguém disse: pai, meu grande e eterno amor.
Na hora, o nó na garganta, a lágrima no olhar.

Pai, meu grande e eterno amor.

Ausência mais presente na minha vida.
Dor doída. Doída na alma e na carne.
Dor de amor.
Dor de impotência.

Ainda outro dia, ouvi: um dia vai ficar só a saudade.
Vai nada.

Ausência presente e ausência que dói.
Que é saudade também.

Ora, se é saudade, foi importante.
Faz falta.

Presença e ausência.
Ciranda insana que me faz pensar (pensar?) nas coisas que não posso mais.
Que não vão virar saudade.

Porque não serão mais.

Um sopro

Estava exausta.
Sentei.
Dei um suspiro profundo, quase sem fôlego.
Queria mesmo era chorar.
O ar da minha boca atingiu a toalha e a balançou.
Pensei: estou tão fraca, deve ter sido uma brisa qualquer.
Tentei de novo.
O mesmo balançar.
Percebi, na fraqueza, a força.
Essa que vem de dentro que a gente não sabe onde há.
Sorri.
E mudei o olhar.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Luz

Quis o destino nos dar uma chance de amar.
E jogou luz num pontinho ainda escuro do amor.
Uma luz intensa, que clareou verdades não ditas, dores.
Uma luz forte que revelou fraquezas.
Dualidade.
Uma luz densa, que trouxe um pedido de ajuda.
Desejo de amar. De saber amar.
De se deixar amar.
Uma clareza insana.
Clareza de alívio.
Agora somos um. Verdadeiramente um.
Sem sombras, sem pesos.
Ainda sofrendo lembranças.
Lembranças de dor.
Que resgataram o amor.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Aprendendo a voar

Estou aprendendo a voar.
Descobri isso dia desses.
Voar pra longe de coisas ruins.
De pensamentos insanos.
Pra perto de coisas singelas.
Pra perto de mim e dos meus.

Cada batida de asas revela um novo momento.
Cada novo ar que respiro, recomeço.

Às vezes alto e destemido vôo.
Outras vezes leve, plainando nas descobertas.

Sempre buscando.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Outra voz

A chuva cai lá fora,
Aqui dentro, um temporal de sentimentos.
Aumento o som de uma música qualquer,
pra ouvir cada vez menos a minha voz interior.
Voz que grita, que insiste,
que quer dizer algo que não quero ouvir.
Voz que sussurra, que cuida, que alerta.
Voz que é minha e de mais ninguém.
Voz que não posso escutar.

Aumento mais.
Escuto menos.

Um misto desordenado de emoções.
Escrevo rápido, cada vez mais rápido.
Penso menos, cada vez menos, nessas angústias e aflições,
que insistem em povoar minha mente,
que insistem em dizer algo.
Algo que não quero ouvir.
Ouve essa voz, menina!
Aquieta teu coração, mulher!

Toma teu rumo.
Muda de vez.

Sai desse lugar comum, desses pensamentos repetidos,
que até hoje te trouxeram até aqui.
E que não precisam mais permanecer.

Ouve outra voz.