sábado, 3 de abril de 2010

Nuvens

O dia amanheceu calmo, não claro.
Ao longe, percebia um lindo azul, entre as nuvens que, insistentes,
apareciam mais do que ele.
Brigonas. São fortes. São densas.
Sobressaem mesmo.
E o azul, de tímido, sumiu.

A tarde caiu e o cinza se firmou.
De tão densas - tensas, eu diria - esboçaram emoção.
Armaram-se. Quase choraram.
Pararam. Deram corpo ao céu, hoje, nada estrelado.

A noite chega. Cinza, não negra.
A lua, seguramente, perderá seu espaço.
Estrelas, só amanhã.

Num dia sem cor, sem brilho lá fora, escrevo às nuvens, estrelas, por ora:
"Desarmem-se, chorem, lavem as almas! As suas e as nossas".

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Pai

Sempre digo que a gente só sente saudade de coisa boa.
Então, é isso.
Sinto muita saudade de você, minha coisa boa!

terça-feira, 30 de março de 2010

À Maria Ângela Galvão

Nascida pernambucana.
Crescida Brasil afora.
Vivida.
Descontraída.

Sei tão pouco. Conheço tão muito.

Sorriso aberto, sincero, seu.
Sotaque arretado, desperta emoções.

De muitas palavras, de muitas ideias.
Vivaz, contagiante.
Forte, forte.
Sabe lá de onde vem tanta força. Talvez das andanças. Ou força de fé.

Amiga, querida.
Faz falta ao meu lado. Só fisicamente.
Me trouxe pra perto.
E te tenho perto.

Maria, amada.
Te tenho respeito.
Te tenho carinho. Te tenho na alma.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Passo das 19h, fácil, fácil

Uma bebida light para encerrar a tarde.
Tarde de trabalho. Esse, só começando.
Criei esse hábito.

Passo das 19h, fácil, fácil.

Em meio a palavras, versos, linhas sem fim.
Gosto disso. Não acho trabalho. Por favor, desconsiderem o que eu disse.
Personalizando o popular: escrever, é só começar.

Passo das 19h, fácil, fácil.

As ideias surgem, se juntam.

Esboço um poema.
Imaginação sem fim.
Puro sentimento.
Sentimento que brota de um coração sereno.

Que inunda a alma e me deixa um sorriso no rosto.
Sorrio de mim, sorrio para mim. E contagio.
Alguém me olha e pergunta: o que você está lendo aí que te deixou o semblante suave? Você parece conversar com o computador!

Converso sim. Converso comigo, com minhas palavras, meus sentimentos.
Converso com a alma. Minha alma.

E nesse papo infinito de boas ideias, afirmo: passo das 19h, fácil, fácil.

domingo, 28 de março de 2010

Afinal, mais vale o sal

Terça-feira. É Carnaval.
Um sol tímido e sorrateiro
Não decide se sai ou não sai.
Mas, pra quê sair o sol,
Mais vale o sal, é Carnaval.

Tias, primas, irmãs, amigas
Conhecida, desconhecida,
Vem chegando gente,
Vem chegando vida.

E a areia quente e clara
(mais quente do que clara)
Se enche de gente, se enche de história
De gente que vem e vai embora.

Azul vira esperança,
Amarelo, brincadeira de criança,
Verde é água, é limão, é bandeira.
Vermelho vida, paixão, é sangria
Desatada pra viver a alegria.

Tantas histórias, tantas vidas
Tantas histórias de vida,
Com ou sem capricho do sol,
Tantas histórias vividas.
Histórias de Carnaval.
Afinal, mais vale o sal.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Poema sem título

Ainda hoje alguém disse: pai, meu grande e eterno amor.
Na hora, o nó na garganta, a lágrima no olhar.

Pai, meu grande e eterno amor.

Ausência mais presente na minha vida.
Dor doída. Doída na alma e na carne.
Dor de amor.
Dor de impotência.

Ainda outro dia, ouvi: um dia vai ficar só a saudade.
Vai nada.

Ausência presente e ausência que dói.
Que é saudade também.

Ora, se é saudade, foi importante.
Faz falta.

Presença e ausência.
Ciranda insana que me faz pensar (pensar?) nas coisas que não posso mais.
Que não vão virar saudade.

Porque não serão mais.

Um sopro

Estava exausta.
Sentei.
Dei um suspiro profundo, quase sem fôlego.
Queria mesmo era chorar.
O ar da minha boca atingiu a toalha e a balançou.
Pensei: estou tão fraca, deve ter sido uma brisa qualquer.
Tentei de novo.
O mesmo balançar.
Percebi, na fraqueza, a força.
Essa que vem de dentro que a gente não sabe onde há.
Sorri.
E mudei o olhar.