domingo, 25 de abril de 2010

Coisinha munitinha

Entre uma lágrima e outra, sorrio pra você.
Gosto de lembrar de você.
Gosto de lembrar de nós dois.
Não queria ter tido tempo pra te amar mais.
Não lamento.
Amei. E muito.
Desde pequena, cantei pra você:
"ô coisinha, tão munitinha do pai".
E, hoje, escrevo pra você.
Textos que nunca vai ler.
Mas que, prometo, quando te vir de novo, contarei, um a um, só pra você.

Com o Atari foi assim

Tive caxumba.
Aos nove anos, se não me engano.
Tinha que repousar pra doença não descer, é o que diziam.
E ele cuidou de mim.
Sempre cuidou.
Como não podia ir à aula,
me revezava entre o meu quarto e a sala de trelevisão.
E, numa dessas incansáveis e longas tardes,
ele me surpreendeu, mais uma vez.
Ao chegar do trabalho, disse:
"filha, vai lá no carro pra buscar minha jaqueta que esqueci.
Mas, vá devagar, hein?".
Eu obedeci, mais uma vez.
Pensei: se ele pediu deve ser porque está cansado
e isso não vai me fazer mal.
E fui, pensando estar apenas agradando o meu pai.
Quando levantei a jaqueta, meu Atari estava lá.
Eu tinha pedido, havia um tempo e, confesso, já tinha até me esquecido.
Ele não esqueceu.
E, pra alegrar as minhas tardes e
me fazer recuperar mais rápido, trouxe pra mim de surpresa.
E, como sempre, me presenteou duas vezes.
Porque a vida pra ele tinha esse toque especial.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Dormir sem você

Preciso de vida, de ar, de luar.
Preciso do seu amar.

Mergulho, profunda, na alma ferida.
Preciso da sua vida.

Encosto, recosto, me enrolo.
Preciso do seu colo.

Choro, me acabo, descabelada agonia.
Preciso da sua alegria.

Enlouqueço, estremeço, adormeço.
Preciso do seu começo.

Acordo, mais calma e risonha.
Ah, deixei isso tudo na fronha.

domingo, 18 de abril de 2010

Reconhecendo um olhar

Um olhar de paquera: tímido, contraditoriamente, revelador.
Um olhar de carinho: pura ternura e simplicidade.
Um olhar de vitória: entusiasmante.
Um olhar de alegria: contagia.
Um olhar de saudade: suspiro no ar.
Um olhar de conquista: sedutor, chega a ser invasivo.

Um olhar de mulher: aquele que reúne cada uma das pistas acima.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Bola que rola

Solta.
Marota.
Afoita.

Bola jogada.
Chutada.
Rolada.
Dominada?
Que nada!

Bola que mexe.
Enlouquece.
Corre.
Coração sofre.
Aflição sobe.

E ela desliza,
Me avisa?
O coração ameniza.

Final de partida.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Errar é humilde, antes mesmo de ser humano

Não. Definitivamente, eu não sou perfeita.
Nem busco a perfeição.
Quero acertar mais do que errar.
Mas, não quero que os acertos apaguem os erros.
Esses, são valiosos. Talvez, mais do que os outros. Depende do olhar.
Errar é crescer.
Porque errar é assumir, corrigir. E prosseguir.

Errar é humilde, antes mesmo de ser humano.

Sim, definitivamente, erro muito.
E gosto de assumir isso.
Acaso alguém se gloria de errar? Fácil é fazê-lo a cada acerto.
Cada erro, um recomeço. E precisa ser assim. Não por força.

E é entre erros e acertos que sigo a vida, e na vida.
Sigo cantando, brincando, aprendendo e amando.
Quer coisa melhor?
Então, erre. Acerte. Viva. E ame. Muito.

domingo, 11 de abril de 2010

Pai, meu Astro

Ele escrevia bem. Muito bem.
E eu o perdi ano passado.
Ao chegar em sua casa, naquele dia de luto,
Ao remexer em seus escritos - ele sabia que eu faria isso -
Descobri um bilhete:
"Vocês não começariam sem mim. Seria como nascer o dia sem o brilho do sol".

Ele tinha Astro no nome. Era um Astro. Meu Astro.
E naquele último trocadilho - e ele gostava bem de fazer isso - ele deixou seu recado.

Pai, não começaríamos sem você. Porque sua luz era fundamental.
E é fundamental. Onde estiver, está luz.
Espero vê-lo, não em breve. Mas, espero ter de novo a sua luz por perto.
Enquanto não nos vemos, vá sendo Astro por aí.
Porque eles também não começariam sem você. Eles esperavam sua estreia.