segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Um pouco de mim

Sim. Eu tenho uma fé imensa no amor de Deus.

Sim. Eu sou daquelas que todos os dias acordam e agradecem pela vida.
Que abrem os olhos com cuidado, reconhecendo tudo à volta.
Sim. Eu vivo um dia de cada vez, mas, não como se fosse o último.
Não quero que seja o último.
Apenas vivo da melhor forma, tentando não atrapalhar ninguém.
Prefiro a limonada.
Queria ter apertado as bochechas miúdas do Quintana. 
Gosto de música, de dança, de balé.
Gosto de marketing. Amo marketing.
Sim. Eu tenho amigos. Poucos, mas, muito amigos.
Sim. Eu elogio as pessoas. Gosto assim. 
Prefiro o elogio. Mas, faço críticas construtivas.
Não sou de reclamar.
Quantas e quantas vezes chorei sozinha até não aguentar.
Aprendi a falar.
Estou fazendo televisão. Quem diria.
O apreço pelas palavras tem me ajudado.
Estou gostando disso também.
Sou uma mulher de quase quarenta.
Sou mãe. Amo minha cria.
E crio com o maior amor do mundo.
Tenho duas irmãs e um meio-irmão.
Que amo mais em palavras, atos e gestos do que em presença.
Infelizmente.
Acontece. Escrevo bem, mas, me revelo tímida.
Tem uma mulher especial na minha vida.
Filha de uma mulher ainda mais especial.
Sou matriarca, por conta delas. É natural.
Essa mulher é beleza, é exemplo, é força. É jovialidade.
Essa mulher é minha mãe.
Tenho um companheiro. Na mais completa interpretação da palavra.
Companheiro. Amor. 

Tive um pai. Um lindo e amado pai.
Um dia perguntei a Deus, esse Deus que eu amo tanto, por que eu tive um pai.
Por que não o tenho mais.
Ele me deu um abraço e não respondeu. Prefere assim.
Tem coisas que não se explicam. Que se vive.
Dor é coisa que se vive. Não se explica.
Mas, amor também é coisa que se vive.
E é por isso que vivo cada dia. Não querendo que seja o último.
Mesmo sabendo que quanto mais próxima do último eu estiver, mais perto estarei dele de novo.
Ele sempre soube esperar.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Minha segunda Caloi

Sou daquelas que escreveram o bilhetinho "Não esqueça a minha Caloi".
E sou daquelas que o bilhetinho deu resultado.
Sim, meu pai me deu minha primeira Caloi, mais ou menos aos 5, 6 anos de idade.
Com certeza teve uma surpresa por trás. Sempre tinha charme na entrega de um presente.
Infelizmente, dessa vez eu não me lembro.
Mas, lembro de coisas que eu guardei. Que talvez ele nem tenha percebido.
Minha Caloi não era de menininha.
Não era rosa. Até porque, bicicleta de menininha era Ceci, rosinha.
A minha era marrom. Acredite! Marrom.
Pensa numa coisa: eu era a filha mais velha, que desde cedo o acompanhava em tudo.
Da pelada à sinuca, nas conversas jogadas fora em rodas de amigos no clube.
Até nos infinitos jogos de loteria.
Era o "seu filho" mais velho.
Nada mais justo que ganhar uma bicicleta marrom!
E isso não me incomodava em nada. Era minha. E ele tinha me dado.
Orgulhosa, saía à rua pra exibir meus dotes e malabarismos de ciclista.
Talvez ele nunca tenha percebido tanta coisa num simples detalhe de cor.
Tive outras bicicletas depois. E, como acontece na vida, cresci e parei de brincar.
Hoje, trinta anos depois, comprei minha segunda Caloi.
Tive que comprar porque ele não pode mais me dar.
E eu não escolhi cor de menininha, tá, pai? É cinza. Acho que não fazem mais marrons.
Se fizessem, talvez uma pontinha de saudade pudesse falar mais alto e eu repetiria a nossa história.
Mas, não dá pra repetir história.
Você me ensinou que história boa é pra ser guardada.
História boa é história que segue.
Então, tô aqui hoje, redescobrindo a liberdade de andar livre, sentindo o vento no rosto.
Descobrindo a simplicidade de uma bicicleta.
Coisa que você já sabia há tanto tempo.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Qual é a cor do seu amor?

Amor tem cor?
Tem cor.
Tem sabor.
Tem cheiro.
Tem até dor.
Meu amor tem cor.
Tem toda cor.
Porque é da cor preto.
Porque é da cor branco.
Porque é da cor preto e branco.
E cor preto e branco é sinal de tudo junto.
De juntar cor.
E é assim que é o meu amor.
Todo junto.
Tudo junto.
Cor.
Sabor.
Cheiro.
E até dor.
Mas, muito mais amor.
Tem gente que inspira. Tem gente que me inspira.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Alguma coisa aconteceu essa noite

Sonhei com você essa noite.
Como sempre, me assustei logo que o vi.
É sempre assim: uma impressão de estar fazendo errado.
Uma certeza de que você não deveria estar ali.
Mas, no meio do nada, você apareceu.
E sorriu pra mim, como sempre o fez.
Dessa vez, mesmo assustada, olhei firme pra você.
Era um sorriso de ternura, um olhar vivo.
Ao mesmo tempo, denso, como se quisesse me dizer algo.
Mais uma vez, eu exclamei: pai!
Como se quisesse afirmar: você não pode estar aqui.
E, num repente, te abracei forte, muito forte.
Chorei no abraço.
Chorei em seus braços.

Nunca acreditei em vida após a morte.
Nem que almas ficam vagando, esperando alguma atitude nossa pra se despedir de verdade.
Como se não houvesse tempo de ter dito ou feito tudo.
Não dá, não acredito.
Já disse: creio no amor.
E em tudo o que a gente vive e faz em vida.
Vivo.
E esse amor que creio é tão grande que me faz ter certeza de que você está bem.
Mas, longe daqui.
Onde eu quero estar um dia.
Pra deitar no seu colo e dormir segura.

Não sei o que houve essa noite.
Só saberei quando nos encontrarmos de novo.
Provavelmente, você vai soltar aquela bela gargalhada - que me deixa com um sorrisinho bobo agora só de lembrar.
Provavelmente, você vai me dar colo e explicar o que houve.
Certamente, irei te abraçar apertado e acabar com esse suspiro que, vez ou outra, volta em meu peito.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O meu olhar

O meu olhar é outro.
Amadurecido. E isso não o faz rígido, denso.
O meu olhar é outro.
Doce, entende cada aprendizado, sorri de pequenas coisas.
O meu olhar é outro.
Leve, não inocente. Apenas leve, livre.
O meu olhar é outro.
Tem marcas, sinais do tempo. Orgulho de vida.
O meu olhar é outro.
É meu, pra mim mesma, pra eu ver o mundo da minha forma.
O meu olhar é outro.
É vida, é desejo, é oportunidade, é valor.
O meu olhar é outro.
É esse outro.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Eu não troco os meus 36 anos por viver duas vezes os 18.